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1 novembro 2026

Ipsos indica virada democrática nas eleições de midterms dos EUA

Ipsos projeta que os Democratas vão ganhar a Câmara e encurtar a vantagem Republicana no Senado nas próximas eleições de midterms.

Ipsos indica virada democrática nas eleições de midterms dos EUA

Em menos de duas semanas, os eleitores norte-americanos irão às urnas para decidir o destino dos midterms referidos como eleições de meio de mandato. Essas disputas determinam a composição da Câmara dos Representantes e do Senado influenciando a agenda legislativa até as próximas presidenciais. Enquanto o clima político permanece marcado por um pessimismo generalizado entre o eleitorado, a empresa de pesquisa Ipsos divulgou suas projeções mais recentes, apontando para uma virada favorável ao Democratas.

O responsável pela análise nos Estados Unidos, Clifford Young presidente da Ipsos no país, concedeu entrevista ao WW para detalhar as expectativas do instituto. De acordo com Young, a avaliação sobre a Câmara dos Representantes já vinha se encaminhando para um resultado democrático ao longo do ano, e a discussão atual não se resume mais a “se” os Democratas vencerão, mas sim “por quantos” assentos eles poderão ganhar.

Câmara dos Representantes: projeção de 20 a 30 assentos para os Democratas

Young explicou que, conforme as pesquisas de intensão de voto a tendência aponta para um ganho entre 20 e 30 cadeiras para os Democratas – um intervalo que pode ser ampliado conforme a evolução do humor popular. “Eu imagino que vai ser entre 20 a 30 assentos, mas pode ser mais”, afirmou, reforçando que a Casa tende a refletir o clima de aprovação dos cidadãos, que atualmente está em níveis baixos. Essa perspectiva sugere que a maioria democrata na Câmara poderia se consolidar antes mesmo da contagem final dos votos.

A conclusão de que o House se tornará democrático não é apenas um reflexo estatístico, mas também um indicativo da pressão crescente sobre os representantes republicanos, que precisam lidar com um distrito cada vez mais crítico. A possibilidade de superar a margem estimada depende, entre outros fatores, da mobilização de eleitores em estados-chave, onde a diferença entre as candidaturas tem se estreitado nas últimas pesquisas conduzidas pela Ipsos.

Senado: da vantagem republicana à disputa com 50-51% para os Democratas

Quatro meses atrás, a avaliação da Ipsos apontava que os Republicanos manteriam o controle do Senado, embora os Democratas reduzissem a diferença de votos. Hoje, segundo Young, “todas as pesquisas indicam uma virada”. O instituto projeta atualmente uma disputa muito equilibrada, com os Democratas atingindo entre 50% e 51% do apoio, frente a 49% dos Republicanos. Essa inversão de tendência indica que a corrida pelo Senado está mais acirrada do que se imaginava no início do ciclo eleitoral.

A mudança de cenário no Senado implica que alguns estados tradicionalmente conservadores podem se tornar decisivos. A Ipsos destaca que a margem estreita abre espaço para que fatores regionais – como a economia local, questões de saúde e políticas de energia – influenciem o resultado final, podendo levar a um cenário em que nenhum dos dois blocos consiga assegurar uma maioria confortável.

Estados tradicionalmente republicanos: oportunidades inesperadas para os Democratas

Young sublinhou que há uma “chance de que os Democratas tenham mais sucesso do que isso”, citando estados como IowaKansasOhio e Texas. Nessas regiões, a preferência histórica pelos Republicanos tem sido questionada por novos dados de intenção de voto, que mostram avanços significativos das candidaturas demokratas. Caso esses movimentos se consolidem, poderia haver uma ampliação inesperada do número de cadeiras conquistadas pelos Democratas, afetando tanto a Câmara quanto o Senado.

Para o especialista, a configuração mais provável para as eleições de novembro é a formação de um Congresso com maioria democrática. Essa perspectiva, se confirmada, alteraria o equilíbrio de poder em Washington e abriria caminho para a aprovação de pautas ligadas a direitos civis, mudanças climáticas e investimentos em infraestrutura, temas que vêm ganhando apoio nas recentes pesquisas de opinião.

Beatriz Almeida