Nos nove primeiros meses de 2026 a capital paulista chegou ao maior número de óbitos de motociclistas desde o início da série histórica em 2015. O Infosiga apontou 782 mortes nas vias da cidade, contabilizando pedestres, ciclistas, ocupantes de automóveis e motociclistas. Desses, 379 vítimas estavam em duas rodas o que equivale a um falecimento a cada 17 horas. O total de vítimas supera os 841 registros de 2015 e os 798 de 2024 colocando 2026 como o ano mais letal da série.
Detalhamento das fatalidades e comparação com anos anteriores
O número de mortes de motociclistas em 2026 registrou alta de 4 % em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 364 óbitos. Esse aumento quebrou o recorde anterior e ultrapassou a média de quase três vítimas diárias na capital. Em setembro, apenas, foram registradas 108 mortes o mês mais mortal do ano. Enquanto a mortalidade de ciclistas subiu 18 % (de 22 para 26 mortes), a de ocupantes de automóveis teve leve queda, passando de 68 para 65 registros, ou 4,4 % a menos.
Ações da Prefeitura, da CET e a polêmica da Faixa Azul
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) destaca a faixa azul corredor exclusivo para motocicletas que cobre 232,7 km em 46 vias e atende cerca de 500 mil motociclistas por dia. Estudos internos da gestão de Ricardo Nunes apontam redução de 26,6 % na taxa de severidade dos acidentes nas faixas sinalizadas, com gravidade 9,5 vezes menor que nas vias sem a sinalização. Para reforçar a segurança, a CET promove blitzes educativas com apoio da Polícia Militar, do Samu e entidades do setor, além de divulgar mensagens em painéis eletrônicos e distribuir material educativo nas ruas. No mesmo mês, foi lançado um curso gratuito para motociclistas visando melhorar técnicas de pilotagem, aberto a entregadores e outros usuários.
Entretanto, o aumento das fatalidades gerou críticas. Guilherme Nafalski gerente do Instituto Cordial, afirma que “não vamos conseguir frear esse aumento sem reduzir velocidades, fiscalizar, intervir em pontos críticos e executar o Plano de Segurança Viária”. Segundo ele, a simples extensão da faixa azul não basta; é preciso integrar políticas públicas de vigilância e redução de velocidade. O estudo conjunto do Instituto Cordial, universidades e WRI Strategies realizado dentro da iniciativa Bloomberg, apontou crescimento de mortes em cruzamentos após a implantação das faixas, mostrando que a medida pode deslocar o risco para outros pontos críticos.
Conflito com a União e impactos na expansão da Faixa Azul
O plano municipal de ampliar a faixa azul encontrou resistência direta do governo federal. Dados consolidados indicam que a sinalização especial não reduziu o número de fatalidades, o que levou a União a impor barreiras burocráticas contra novos trechos. O debate ganhou destaque nacional quando o senador Flávio Bolsonaro trouxe a questão ao centro das discussões sobre a atuação da administração federal em São Paulo. Essa tensão pode atrasar novos projetos de corredores exclusivos e obrigar a cidade a reevaluar estratégias.
Panorama estadual e custos econômicos
No âmbito estadual, o Detran-SP registra queda de 4 % no total de mortes em comparação com o mesmo período de 2025, sendo a única alta nos casos envolvendo motociclistas (+ 2 %). No intervalo de agosto a setembro de 2026, porém, o número de mortes subiu 8,1 % com pedestres apresentando aumento de 28,9 %. O órgão destaca que, ao longo de um ano, São Paulo contabilizou 26.305 acidentes de trânsito cujo custo estimado ultrapassa R$ 6 bilhões incluindo despesas hospitalares. A via mais letal entre outubro de 2025 e setembro de 2026 foi a marginal Pinheiros responsável por 14 óbitos em sete acidentes fatais, dentro de um total de 487 sinistros na rodovia.
O Detran-SP reforça que os resultados do Infosiga refletem o comportamento do trânsito em todo o estado, envolvendo competências de órgãos federais, estaduais e municipais. Apesar do aumento pontual de óbitos, observa-se tendência de queda na sinistralidade acumulada deste ano. O órgão cita programas como Respeito à Vida e o Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo como pilares para reduzir vítimas e aprimorar a segurança nas vias.



