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1 novembro 2026

Referendo em Alberta confirma apoio de 77% à união com o Canadá

Alberta votou pela permanência no Canadá, com 77% dos eleitores apoiando a união nacional.

Referendo em Alberta confirma apoio de 77% à união com o Canadá

A província de Alberta, conhecida pelas vastas reservas petrolíferas, realizou na última terça-feira (20) um referendo que poderia abrir caminho para uma futura consulta sobre independência. Embora a pergunta não tratasse diretamente da separação, o resultado acabou por indicar a preferência da maioria dos eleitores por permanecer no país. Mais de 1 milhão de votos foram apurados, revelando que 77% apoiaram a permanência, enquanto 23% votaram a favor de iniciar um processo de separação.

Os números foram divulgados pela Elections Alberta e já foram citados como reforço ao discurso do primeiro-ministro Mark Carney, que há semanas enfatizava a necessidade de união nacional num momento de tensão comercial internacional e de ameaças externas feitas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Reações imediatas de líderes provinciais e federais

Apuração e posicionamento de Danielle Smith

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith comemorou os dados preliminares nas redes sociais, enfatizando que o voto reflete um desejo de “uma Alberta mais forte dentro de um Canadá unido”. Em discurso público, Smith explicou que convocou o referendo sob pressão de setores separatistas dentro do seu próprio Partido Conservador Unido, embora ela mesma se oponha à ideia de independência. Ela prometeu anunciar oficialmente, ainda na terça-feira, a decisão da província e os próximos passos políticos.

Intervenção de Mark Carney e apoio institucional

No dia anterior, durante um comício em Edmonton, Carney conclamou os albertanos a “votar como se o futuro do Canadá dependesse disso, porque depende”. O discurso, apresentado no Expo Centre destacou que o referendo ocorreria “no pior momento possível”, numa época de “o mundo se tornar mais perigoso e dividido”. O primeiro-ministro também criticou a ideia de um referendo “para enviar uma mensagem”, chamando-a de “blefe perigoso” que geraria “anos de profunda incerteza”.

Contexto político, econômico e as forças separatistas

Relações com Ottawa e pressões externas

Alberta abriga a quarta maior reserva comprovada de petróleo do mundo, o que cria um histórico ressentimento com o governo federal em Ottawa, sobretudo por questões fiscais e regulatórias. A retórica de Trump, que chegou a sugerir transformar o Canadá no 51.º estado americano, alimentou ainda mais o discurso de união promovido por Carney. Enquanto isso, grupos como o Forever Canadian liderado por Thomas Lukaszuk reafirmaram que “somos um país sólido, unido de costa a costa”.

Atividade separatista e perspectivas de futuro

Apesar do amplo apoio à permanência, figuras separatistas – como Jeff Rath – mantêm esperança de que 30% dos votos possam desencadear o processo de uma nova consulta sobre independência. Rath até sugeriu a substituição de Danielle Smith à frente do Partido Conservador Unido, prevendo uma possível cisão que poderia gerar um novo partido pró-separação. Vozes cidadãs também foram registradas: Dustin Degenhardt de Wainwright, denunciou que “Alberta foi tratada como uma colônia”, enquanto Taylor MacIsaac também de Wainwright, expressou que seria “bom para Alberta se separar”.

Outros eleitores criticaram a própria realização do referendo, apontando para prioridades como saúde. Dave Malka de Edmonton, definiu a votação como “um referendo sobre um referendo” e alertou que o debate ocorre “no pior momento possível”. Já Jake Graham de Calgary, compareceu a um comício de Carney usando símbolos patrióticos e manifestou esperança de que o resultado “enterre esse assunto por muito tempo, de forma clara e decisiva”.

Além da questão da união, o referendo incluía nove outros temas – imigração, controle provincial de programas federais e reformas constitucionais – que, segundo pesquisas da Ipsos, ainda geram divisão entre os eleitores. Enquanto a maioria dos albertanos rejeita a separação, a maioria também apoiaria maior autonomia sobre imigração (65%) e restrições a benefícios federais para pessoas sem status legal (59%). Esses números revelam que o debate sobre a identidade e o futuro de Alberta continua em aberto, mesmo após o contundente veredicto de 77% a favor da união.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.