Em entrevista concedida à Bloomberg nesta segunda-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz alertou que a Rússia está sendo subestimada nas suas ambições sobre a Europa. Segundo Merz, a preocupação maior não se resume ao conflito ucraniano, mas ao intento de enfraquecer democracias e sociedades abertas no continente.
A visão de Merz sobre a estratégia russa
“A minha maior preocupação é o impacto russo subestimado sobre nossas sociedades”, declarou o líder alemão, reforçando que “A Rússia está no caminho para desestabilizar toda a ordem política do continente europeu”. Para o chanceler, Moscou busca mais que ganhos territoriais; seu objetivo seria ameaçar a integração europeia e minar a confiança nas instituições democráticas.
Incidentes recentes atribuídos a Moscou
O governo federal acusou a capital russa de estar por trás de uma tentativa frustrada de ataque com drones a um aeroporto em Leipzig durante o mês de agosto. Ainda neste ano, Berlim encerrou o consulado russo em Bonn e fechou o centro cultural Casa Russa. Em retaliação, Moscou suspendeu as atividades do Goethe-Institut em território russo, ampliando a disputa cultural entre as duas nações.
Alerta da inteligência alemã
O chefe da agência de inteligência externa da Alemanha, citado ainda neste mês, avisou que a Rússia se tornou um dos principais alvos de uma guerra nas sombras conduzida por Moscou, ressaltando que a ameaça assumiu um “nível novo e mais perigoso”. Esse diagnóstico reforça a narrativa de Merz sobre a necessidade de vigilância contínua.
Financiamento da defesa ucraniana e o peso sobre a UE
Merz sublinhou que a Alemanha, junto a outros aliados europeus, tem financiado o esforço militar da Ucrânia sem apoio direto dos Estados Unidos. “É um grande esforço para nossos orçamentos e para a União Europeia”, afirmou, destacando que, apesar da pressão fiscal, a Alemanha pretende manter o suporte até o fim da “guerra terrível”.
Relação com os Estados Unidos e a estratégia de Donald Trump
O chanceler tem buscado convencer o presidente dos EUA, Donald Trump de que uma Europa estável beneficia também Washington. “Uma Europa estável, uma União Europeia forte e parceira no cenário global é algo valioso também para os americanos”, enfatizou Merz, numa tentativa de alinhar interesses transatlânticos em meio a divergências sobre o apoio a Kiev.
Perspectivas europeias e autonomia estratégica
Em resposta ao aumento das tensões entre a Europa e os EUA, Merz declarou que os governos do bloco compreenderam a gravidade da situação e trabalham para fortalecer a capacidade de defesa coletiva, reduzindo a dependência norte-americana. “Estamos ouvindo o alerta e tentando nos colocar em uma posição forte o suficiente para competir e nos defender de forma mais independente dentro da OTAN”, concluiu o chanceler.



