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1 novembro 2026

Manifestantes incendeiam prefeituras e confrontam polícia na França

Protestos contra o alto custo de vida se transformaram em tumulto, com incêndios, saques e centenas de policiais feridos em todo o país.

Manifestantes incendeiam prefeituras e confrontam polícia na França

Na madrugada de domingo, 18 de outubro a França despertou cercada por destroços. O que começou como manifestações pacíficas contra o custo de vida e a falta de investimentos públicos acabou se convertendo em um dos episódios mais violentos dos últimos anos, com cidades como ParisLimogesMarselha e Lyon registrando incêndios em prédios governamentais e confrontos intensos com a polícia.

Um manifestante morreu ao norte de Paris após sofrer uma parada cardiorrespiratória, e mais de 500 policiais ficaram feridos durante a noite de sábado, 17. A polícia deteve aproximadamente 1.800 pessoas em todo o território, enquanto estimativas oficiais apontam para 550 mil manifestantes nas ruas, dos quais cerca de 110 mil estavam em Paris.

Incêndios, saques e destruição de patrimônios públicos

Em Limoges a prefeitura centenária de 143 anos foi completamente consumida pelo fogo, com imagens mostrando o colapso de sua torre. Em Marselha grupos mascarados invadiram o edifício municipal, usando grades de metal como armas e provocando graves danos. Já em Lyon o escritório de turismo foi alvo de incêndio deliberado.

Na capital, Paris jovens em máscaras de preto e balaclavas picharam vitrines de lojas de luxo como Ralph Lauren, Gucci e Versace, além de saquear estabelecimentos como um restaurante e uma loja de vinhos. Em Lille um McDonald’s foi incendiado e uma loja da Apple foi invadida. O caos se espalhou também para Saint-Étienne onde um manifestante perdeu a mão em explosão de artefato, e para Lens onde outro jovem ficou sem a mão após a detonação de uma granada. Os episódios de violência envolveram ainda um adolescente de 14 anos que teve a mandíbula fraturada por ação policial.

Resposta das autoridades e números de detenções

O ministro do Interior, Laurent Nunez utilizou a rede X para comunicar que nada poderia justificar os eventos, denunciando “níveis inaceitáveis de violência”. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu deveria reunir-se com os prefeitos de Paris, Lyon e Marselha para discutir reforço de segurança e reparação dos danos.

O presidente Emmanuel Macron anunciou que fará um pronunciamento à nação na noite de domingo, condenando os “semeardores do caos” e prometendo processar quem atacou policiais, empresas e prefeituras. A Prefeitura de Polícia de Paris afirmou que seus agentes mantiveram a posição “com coragem e profissionalismo”.

Além das detenções, o Ministério do Interior registrou mais de 500 feridos entre policiais e bombeiros. A Federação do Comércio informou que cerca de 1,5 mil lojas sofreram danos, incluindo depredações, incêndios e pilhagens.

Demandas dos manifestantes e panorama político

Os protestos, iniciados por estudantes no mês passado, se ampliaram para incluir reivindicações sobre educação, salários e serviços públicos. Uma manifestante chamada Pauline de 36 anos, declarou: “Há um acúmulo de riqueza e poder completamente fora de controle”. Já Louise de 38 anos, acusou o governo de “menos democracia” e de estar sob a influência de bilionários que controlam a mídia.

O líder da La France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon ressaltou que a maioria dos manifestantes agiu pacificamente, afirmando que “os canais de notícias são inundados com imagens de violência, mas dezenas de milhares de pessoas continuam mobilizadas com calma”.

Na esfera educacional, o ministro da Educação, Edouard Geffray tem mantido diálogos com estudantes que exigem redução do tamanho das turmas, aumento de recursos para professores e investimentos em infraestrutura resiliente ao clima. Até o momento, não foi alcançado um acordo definitivo.

Os analistas apontam que o movimento reflete uma sensação de desilusão profunda: o aumento da inflação, a percepção de inação governamental e a crescente polarização política alimentam a ira popular. Enquanto o governo promete reforçar a segurança, a sociedade civil espera respostas estruturais que vão além da simples contenção da violência.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.