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1 novembro 2026

Centro de massa terrestre se move alguns milímetros por estação

A equipe do JPL revela método mais preciso para rastrear o movimento sazonal do centro de massa terrestre, destacando o papel da água, gelo e atmosfera.

Centro de massa terrestre se move alguns milímetros por estação

O centro de massa da Terra não permanece fixo; ele descreve um caminho de poucos milímetros ao longo de um ano. Essa pequena dança resulta da redistribuição de água, gelo e ar entre diferentes regiões do planeta. Em 2023, pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, publicaram na Geophysical Journal International uma nova abordagem que reduz a margem de erro das estimativas internacionais de 2017 e 2023, que divergiam em 7 mm — quase tanto quanto o deslocamento que se tenta medir.

Método híbrido: laser, GPS e satélites em órbita baixa

Tradicionalmente, o ponto de referência era obtido a partir de reflexões laser de satélites como o LAGEOS 1 e 2, lançados em 1976 e 1992. O novo procedimento, liderado pelo geocientista Donald Argus combina essas medições com dados de GPS e informações orbitais de múltiplos satélites de baixa altitude. Além disso, a equipe incorporou o efeito da deformação da crosta causada pelo peso da água e do gelo, reconhecendo que as estações de rastreamento em solo também se deslocam ligeiramente. O resultado é uma estimativa anual de movimento que é cerca de metade do valor calculado há oito anos.

Principais motores da oscilação sazonal

O estudo identificou três fontes predominantes: os oceanos, a atmosfera e a água armazenada nos continentes. No hemisfério norte, o acúmulo máximo de neve sobre a América do Norte e a Eurásia ocorre em março, empurrando o centro de massa cerca de 3 mm rumo ao Polo Norte. Em abril, a bacia do rio Amazonas atinge seu pico de volume, armazenando aproximadamente 2 400 gigatoneladas de água, o que desloca o centro de massa 2,2 mm para a América do Sul. A monção do Sudeste Asiático chega ao seu ápice em novembro, adicionando cerca de 600 gigatoneladas embora seu efeito seja menor.

Os oceanos exercem influência decisiva entre agosto e outubro: o derretimento de gelo e as chuvas aumentam a massa nas águas do Pacífico Sul, deslocando o centro de massa nessa direção. Devido à extensão do Oceano Pacífico, variações aqui superam as registradas em outros fundos oceânicos. Por fim, a atmosfera completa o ciclo; o ar frio e denso do inverno redistribui massa para regiões como a Ásia Central e o Norte da África no solstício de dezembro, enquanto no verão o efeito se inverte para a América do Sul e a África Meridional.

Por que milímetros fazem diferença

Apesar da escala diminuta, esses deslocamentos afetam sistemas que dependem de posicionamento extremamente preciso. O centro de massa da Terra funciona como referência para navegação por satélite, mapeamento topográfico, logística marítima e agricultura de precisão. O coautor Felix Landerer enfatiza que entender melhor essas oscilações aprimora a confiabilidade de tecnologias essenciais ao cotidiano global.

Os resultados também foram corroborados pelas medições da missão GRACE-FO lançada em maio de 2018, que acompanha mensalmente alterações no campo gravitacional terrestre causadas, em grande parte, pelo movimento de água.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.