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1 novembro 2026

Rússia e China planejam reator lunar; EUA buscam vantagem antes de 2030

NASA pressiona empreiteiras a construir reator nuclear lunar antes de 2030; Rússia e China já miram 2036, gerando nova corrida por energia no satélite da Terra.

Rússia e China planejam reator lunar; EUA buscam vantagem antes de 2030

No fim de agosto, a NASA enviou uma ordem a suas parceiras industriais para que desenvolvam, até dezembro de 2030, um reator nuclear projetado a suportar o percurso espacial e operar de forma autônoma próximo ao polo sul da Lua. A iniciativa reflete a urgência dos Estados Unidos em assegurar liderança tecnológica frente a projetos rivais.

Objetivo da corrida lunar

Os Estados Unidos e a China almejam ser os primeiros a consolidar uma base permanente no satélite natural da Terra, explorar depósitos de água congelada e usar a Lua como ponto de partida para missões mais distantes, inclusive a Marte. A gestão de recursos lunares depende de uma fonte de energia que funcione independentemente da luz solar; nesse cenário, o reactor nuclear surge como peça central.

Para as primeiras fases, ambos os blocos pretendem suprir aquecimento de equipamentos e recarga de rovers usando combinações de energia solar e sistemas de energia por radioisótopos. Contudo, os longos ciclos de noite lunar – que podem durar mais de duas semanas terrestres – tornam esses métodos insuficientes, sobretudo próximo ao polo sul, onde as variações térmicas são bruscas.

Projeto dos reatores dos EUA e da Rússia-China

A Rússia, em aliança secreta com a China, anunciou a meta de colocar em operação o reator “Selena” até 2036. O equipamento deverá gerar até 10 quilowatts de eletricidade e operar autonomamente por uma década, seguindo características de um modelo já testado em condições árticas.

Em resposta, a NASA acelerou seu cronograma. O chamado Reator Lunar 1 deve produzir cerca de 20 quilowatts energia suficiente para abastecer aproximadamente dezesseis residências americanas, e permanecer em funcionamento por cinco anos sem necessidade de manutenção. O primeiro uso prático da energia nuclear dos EUA será para impulsionar uma nave rumo a Marte em dezembro de 2028.

Do ponto de vista de combustível, a NASA pretende utilizar urânio de baixo enriquecimento (LEU), considerado o mais seguro para missões espaciais. Esse material é escasso nos EUA após a proibição de importação de urânio russo em 2024; a Rússia detém o maior estoque global de LEU, o que coloca Moscou em posição de vantagem estratégica. O presidente do Instituto Kurchatov, Mikhail Kovalchuk declarou à agência russa Tass que “a Rússia praticamente não tem concorrentes no campo da energia nuclear espacial”.

Riscos e desafios tecnológicos

Especialistas apontam que o ritmo acelerado pode gerar falhas críticas. Nos últimos seis anos, foguetes de China, EUA e Rússia sofreram explosões, e um módulo de pouso russo colidiu na superfície lunar, evidenciando vulnerabilidades nas fases de lançamento e aterrissagem. Caso um reator nuclear se desintegre durante o voo, fragmentos contaminados poderiam espalhar material radioativo na Terra ou, se caíssem na Lua, criar zonas interditadas por radiação.

Edwin Lyman, diretor de segurança de energia nuclear da Union of Concerned Scientists, alertou que “sempre haverá uma corrida espacial e, se a energia nuclear entrar nessa equação, a disputa poderá tomar um rumo potencialmente mais perigoso”. Ele ressalta que o combustível de urânio frio tem baixa radiação, mas a fase de lançamento permanece o ponto de maior exposição.

Leopold Summerer, responsável por um grupo da ONU sobre energia nuclear no espaço, enfatiza que a explosão controlada do foguete representa o maior risco, citando a possibilidade de um reator atingir a criticidade caso caia em água, já que a água modera nêutrons e intensifica reações em cadeia.

Não há, atualmente, nenhum módulo de pouso comprovado capaz de levar materiais pesados e radioativos à superfície lunar, nem estruturas de contenção adequadas para circunstâncias de baixa gravidade. A NASA indica que seu projeto incluirá algum tipo de blindagem, embora detalhes técnicos não tenham sido divulgados. A provável criação de áreas restritas ao redor do ponto de instalação tem sido sugerida para limitar a exposição de astronautas.

O futuro dos microrreatores, capazes de gerar até 10 megawatts também está em discussão. Empresas como a Space Nuclear Power Corp. desenvolvem protótipos baseados em urânio altamente enriquecido mas ainda não há demonstrações de viabilidade lunar. Katy Huff, da Universidade de Wisconsin-Madison, afirma que a instalação é “perfeitamente viável”, mas que a complexidade aumenta à medida que a potência requerida cresce.

Em síntese, a corrida pelo reactor nuclear lunar está moldando a estratégia de exploração de três potências. Enquanto a Rússia-China avança com um cronograma até 2036, os EUA buscam superar o desafio antes de 2030, conscientes de que quaisquer falhas poderão transformar a conquista lunar em um cenário de risco radiológico.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.