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17 setembro 2026

Como a Doutrina Monroe continua a moldar a política externa dos EUA

A Doutrina Monroe, proclamada em 1823, permanece como um pilar da política externa dos EUA, com a administração Trump reafirmando seu compromisso com essa diretriz.

Como a Doutrina Monroe continua a moldar a política externa dos EUA

A Doutrina Monroe, estabelecida em 1823 pelo presidente James Monroe, continua a ser um pilar fundamental da política externa dos Estados Unidos. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA destacou a importância dessa doutrina, afirmando que ela encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump. Mas o que exatamente é a Doutrina Monroe e por que ela ainda é tão relevante?

Em um vídeo publicado em 11 de agosto de 2026, o embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, explicou como a doutrina moldou a política externa dos EUA ao longo de dois séculos. O que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional que permanece até hoje como a pedra angular da conduta americana no hemisfério.

As origens e o propósito da Doutrina Monroe

James Monroe estabeleceu sua doutrina em um contexto de independências recentes no continente americano. Em seu discurso presidencial de fim de ano no Capitólio, Monroe afirmou que qualquer tentativa dos países europeus de impor seus sistemas políticos a qualquer porção desse hemisfério seria considerada como um perigo à paz e à segurança dos EUA. Essa declaração visava proteger as novas nações americanas da influência europeia e estabelecer os EUA como um tutor do continente.

Ao longo dos anos, a Doutrina Monroe foi reinterpretada por diferentes administrações da Casa Branca, justificando intervenções diretas ou indiretas no continente, especialmente no Caribe e na América Central. Essas reinterpretações são conhecidas como corolários que esclarecem ou adicionam novas camadas à doutrina original. Um dos mais conhecidos é o Corolário Roosevelt, de 1904, que permitia aos EUA intervir nos assuntos internos de uma nação latino-americana se esta demonstrasse incapacidade de cumprir obrigações internacionais.

A Doutrina Monroe sob a administração Trump

Em 11 de agosto de 2026, o Departamento de Estado dos EUA publicou um vídeo reafirmando o compromisso da administração Trump com a Doutrina Monroe. O vídeo destacou que o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado. Essa reafirmação vem em um contexto em que a Casa Branca divulgou sua nova Estratégia de Segurança Nacional, citando explicitamente a Doutrina Monroe como uma referência para o relacionamento dos EUA com a América Latina.

Dias antes da divulgação do documento, Trump publicou uma mensagem oficial celebrando o aniversário da doutrina, afirmando que ela é fundamental na história dos EUA e que sua gestão está comprometida com a proteção do hemisfério ocidental. A Estratégia de Segurança Nacional indica que, para a administração Trump, os países da América Latina são a origem de temas que afetam diretamente os EUA, como imigração e tráfico de drogas.

Do século XIX ao século XXI: a evolução da Doutrina Monroe

Se no passado a Doutrina Monroe visava blindar o continente americano da influência de potências europeias, hoje ela parece estar sendo reeditada para conter o poder da China na região. Em uma entrevista no ano passado, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que seu país deveria recuperar a influência no seu quintalperdida para a China. Essa declaração reflete a preocupação dos EUA com a crescente influência chinesa na América Latina.

O Canal do Panamá, por exemplo, é visto como um símbolo da liderança duradoura dos Estados Unidos na região segundo o vídeo publicado pelo Departamento de Estado. Essa visão reforça a importância estratégica da América Latina para os EUA e a continuidade da Doutrina Monroe como um guia para a política externa americana.

A Doutrina Monroe, proclamada em 1823, continua a ser um farol para a política externa dos EUA, adaptando-se às novas realidades geopolíticas. Sob a administração Trump, essa doutrina ganhou um novo impulso, reafirmando o compromisso dos EUA com a proteção e a influência no hemisfério ocidental.

Beatriz Almeida