Na noite do último domingo (9/8), um incidente violento ocorreu dentro do Hospital Regional de Samambaia (HRSam). A enfermeira Gisella Souza Pereira foi agredida por uma paciente durante um atendimento, um caso que tem gerado preocupação sobre a segurança dos profissionais de saúde no Distrito Federal.
O episódio começou quando a paciente, identificada como Fernanda Rodrigues da Silva chegou ao hospital com queixas de mal-estar geral, dor abdominal leve e dificuldade para urinar. Após avaliação, Gisella informou que a paciente deveria ser atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) já que a clínica médica do HRSam estava com bandeira vermelha para atendimentos e a paciente foi classificada como azul indicando sintomas leves.
O incidente e as consequências
Gisella relatou que a paciente pediu um documento que comprovasse a ida ao hospital. A enfermeira explicou que não poderia emitir um atestado, pois a paciente havia sido apenas acolhida, não consultada. Permitiu, porém, que a paciente tirasse uma foto da tela do computador. Nesse momento, a situação se agravou.
“Ela já com muito sarcasmo, virou a tela do celular para me filmar, e eu levantei e pedi que não me filmasse. Nesse momento, ela me atingiu com vários golpes no rosto, no pescoço, no tórax, nos braços e nas mãos”, disse Gisella. Os vigilantes só perceberam a agressão tardiamente, pois não houve discussão prévia.
Após o incidente, a Polícia Militar foi acionada e ambos os envolvidos foram levados para a 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) onde Gisella registrou ocorrência.
Repercussão e medidas necessárias
Na segunda-feira (10/8), o Sindicato das Enfermeiras e dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF) emitiu uma nota sobre o caso. A entidade destacou que Gisella tem 21 anos de experiência na enfermagem e 19 anos de trabalho no HRSam, e que foi acolhida pelo Setorial de Mulheres do sindicato.
“A agressão acende novamente o alerta sobre a segurança no HRSam. Em um curto período, outras duas profissionais também foram agredidas na unidade, que já registrou situações que envolvem até a entrada de usuários com armas de fogo e armas brancas na unidade”, afirmou o SindEnf-DF.
O sindicato cobrou providências da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) exigindo reforço nas medidas de segurança e a recomposição das equipes diante do déficit de enfermeiras e enfermeiros na rede pública. Até o momento, a SES-DF não se manifestou sobre o caso.
Um problema recorrente
O caso de Gisella não é isolado. O HRSam tem enfrentado uma série de incidentes de Violência contra profissionais de saúde. A entrada de usuários armados e a falta de segurança adequada têm sido pontos críticos que precisam de atenção urgente.
Enquanto a SES-DF não se posiciona oficialmente, a comunidade de saúde espera por ações concretas que garantam a segurança dos profissionais e a qualidade do atendimento aos pacientes. A agressão a Gisella serve como um lembrete sombrio da necessidade de medidas imediatas para proteger aqueles que cuidam da saúde da população.



