Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Como a licença-paternal está transformando a paternidade no Brasil

Multinacionais no Brasil estão ampliando a licença-paternal para promover equidade de gênero e melhorar a retenção de talentos

Como a licença-paternal está transformando a paternidade no Brasil

No Brasil, a licença-paternal está se tornando um instrumento estratégico para promover a equidade de gênero e melhorar a retenção de talentos nas empresas. Essa mudança cultural vem ganhando força, especialmente após a experiência de Gustavo Matheus Geraldo gerente sênior da Amgen que se afastou do trabalho por 180 dias após o nascimento de sua filha Cecília há cinco anos.

A licença-paternal oferecida pela Amgen é um exemplo de como algumas organizações estão adotando políticas mais flexíveis e inclusivas. Enquanto a licença-paternal obrigatória por lei no Brasil é de apenas cinco dias muitas empresas estão implementando a licença-parental que oferece o mesmo período de afastamento tanto para pais quanto para mães.

O impacto da licença-paternal na equidade de gênero

A economista Claudia Goldin vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2026 destaca a importância da participação dos pais nos cuidados com os filhos. Sua pesquisa mais recente, publicada mês passado pelo NBER sugere que a resistência dos homens em assumir esse papel pode estar contribuindo para as baixas taxas de natalidade em diversos países.

Goldin, que se notabilizou por suas pesquisas sobre o impacto da maternidade na carreira das mulheres, chama a atenção para o papel dos homens na decisão das mulheres em ter filhos. Segundo seus dados, mulheres com ensino superior tendem a adiar a maternidade quando há dúvidas sobre o apoio dos parceiros. A economista enfatiza que a licença-paternal ampliada pode ser uma forma de incentivar a maior divisão de tarefas, reduzindo o custo que as trabalhadoras pagam por causa da maternidade.

Apresentação no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole de 2026

As conclusões da pesquisa de Goldin foram apresentadas no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole de 2026 um evento anual que reúne economistas, ministros e banqueiros centrais de todo o mundo na cidade de Jackson Hole no estado de Wyoming nos EUA. A economista, que completou 80 anos recentemente, ressalta que a licença-paternal não é suficiente para sinalizar que os homens serão pais confiáveis a longo prazo.

Crianças não são bens de capital que duram um ano! Elas duram por um longo tempo e, durante esses anos, precisam de amor, carinho, compreensão etc. — afirmou Goldin.

O futuro da licença-paternal no Brasil

No Brasil, a tendência é que mais empresas sigam o exemplo da Amgen e ampliem a licença-paternal. Essa mudança pode contribuir para uma maior divisão de tarefas e para a equidade de gênero no mercado de trabalho. Além disso, pode ajudar a aumentar as taxas de natalidade, uma vez que as mulheres se sentirão mais seguras em relação ao apoio dos parceiros.

A licença-paternal ampliada também pode ser um diferencial competitivo para as empresas, ajudando a atrair e reter talentos. Em um mercado cada vez mais competitivo, oferecer benefícios que promovam a qualidade de vida e a equidade pode ser a chave para o sucesso.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.