Em um cenário onde a inteligência artificial está revolucionando a forma como criamos e consumimos conteúdo, as marcas enfrentam um novo desafio: provar a autenticidade de suas mensagens.
Chris Rynning, investidor de tecnologia e chairman da Humanitech, alerta para essa realidade durante sua participação no Rio Innovation Week.
O momento Oppenheimer da IA
Rynning compara a atual corrida pela IA ao momento Oppenheimer referindo-se ao físico que liderou o desenvolvimento da bomba atômica e depois alertou para seus riscos. “Estamos em uma corrida que ninguém vai parar. Se um país não desenvolver IA, outro desenvolverá. Se uma empresa desacelerar, outra assumirá a dianteira”, afirma.
Ele destaca que a velocidade da inovação está muito à frente da discussão sobre segurança, um tema que deve interessar a todas as lideranças, incluindo os CMOs.
Transformações no comportamento do consumidor
A IA está mudando o comportamento do consumidor, tornando cada vez mais difícil distinguir o que é produzido por uma pessoa do que foi gerado por uma máquina. “Em pouco tempo, a pergunta mais importante para os consumidores não será mais ‘Isso me interessa?’ e sim ‘Isso é real?'”, observa Rynning.
Para os executivos de marketing, o erro é tratar a IA apenas como uma ferramenta de produtividade. “O custo de criação está caminhando para zero. Todo mundo poderá criar conteúdo. E se qualquer empresa consegue produzir centenas de peças por dia usando IA, criatividade deixa de ser um diferencial”, analisa.
O desafio da autenticidade
O maior desafio para as marcas será construir algo reconhecível “em meio a um oceano de conteúdos que seguem os mesmos padrões visuais, os mesmos ganchos narrativos e a mesma velocidade de produção.” Para vencer essa corrente, Rynning acredita que a decisão sobre IA não pode ser baseada apenas em uma análise tradicional de custo-benefício.
Ele defende que as empresas precisarão usar IA para competir com outras inteligências artificiais, mas mantendo o human in the loop — o ser humano supervisionando decisões, processos criativos e validação de conteúdo. “Se as lideranças não fizerem isso, talvez os riscos apareçam antes que possamos aproveitar os benefícios”, alerta.



