No primeiro semestre de 2026, o mercado de consórcios no Brasil registrou um crescimento significativo, com um aumento de 14,6% nas vendas de cotas em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Dentre as modalidades em alta, os consórcios para energia solar têm se destacado, oferecendo uma alternativa viável para quem deseja investir em sistemas fotovoltaicos sem comprometer o orçamento mensal.
Essa tendência reflete a busca por formas de financiar o investimento inicial em energia solar sem recorrer a financiamentos tradicionais, que geralmente envolvem juros elevados. Para Juciel Oliveira fundador e CEO da Monteo esse movimento é impulsionado pela popularização da tecnologia solar e pelo aumento do conhecimento dos consumidores sobre as vantagens de planejar esse tipo de investimento.
O crescimento dos consórcios para energia solar
O consórcio para energia solar tem atraído principalmente empresasprodutores ruraiscondomínios e famílias com contas de energia elevadas. Segundo Oliveira, quanto maior e mais previsível for a conta de energia, mais relevante se torna o cálculo para investir em um sistema solar. “Um sistema solar exige um desembolso relevante. E o consórcio entra justamente como uma alternativa para transformar esse investimento em planejamento, sem os juros tradicionais de um financiamento, embora existam taxas”, afirma.
Esse perfil de contratação é explicado pelo fato de que o projeto fotovoltaico concentra boa parte do desembolso no início, enquanto o retorno aparece ao longo dos anos na forma de redução da conta de energia. Para quem não quer imobilizar todo o capital de uma vez, o consórcio oferece uma solução que ajuda a equilibrar investimento e economia.
Vantagens e considerações do consórcio para energia solar
Quiron Prates fundador da Dakota Capital destaca que o consórcio ganhou relevância entre consumidores que já decidiram instalar o sistema, mas conseguem planejar quando farão o investimento. “O consórcio não é o instrumento de quem precisa ligar o sistema no mês que vem”, afirma. A contemplação pode ocorrer por sorteio ou lance, mas não há garantia de acesso imediato à carta de crédito.
A motivação para buscar um consórcio de energia solar varia conforme o perfil do consumidor. Para empresas, preservar o capital de giro é um dos pontos que mais pesam na escolha. No meio rural, projetos com consumo concentrado durante o dia podem aproveitar melhor a energia produzida no mesmo período. Já para famílias e condomínios, o tamanho e a previsibilidade da conta de luz ajudam a determinar se vale a pena assumir um compromisso de longo prazo para reduzir esse gasto.
Como funciona o consórcio para energia solar
Depois da contemplação, a carta de crédito pode ser usada para pagar o projeto dentro das regras previstas no contrato. Ela não funciona como um valor depositado na conta do consorciado: normalmente, a administradora analisa a documentação e faz o pagamento diretamente ao fornecedor escolhido. Dependendo do grupo, o crédito pode cobrir equipamentos, instalação e outros serviços relacionados ao sistema.
A contemplação ocorre por sorteio ou lance. Em alguns grupos, também é permitido o lance embutido, no qual parte da própria carta é utilizada na oferta. Um cuidado importante está na diferença entre o preço do sistema na contratação e no momento em que a carta for utilizada. “O principal cuidado é não dimensionar a carta olhando apenas para o orçamento de hoje. O sistema que custa R$ 100 mil hoje pode não custar R$ 100 mil quando ocorrer a contemplação”, alerta Oliveira.
Análise e comparação de alternativas
Para avaliar se a operação faz sentido, Juciel Oliveira recomenda analisar duas contas simultaneamente: o custo total do projeto (incluindo taxa de administração, reajustes e demais despesas do consórcio) e a economia estimada com energia ao longo dos anos, considerando geração, manutenção e possíveis mudanças nas tarifas. “O erro é comparar simplesmente parcela do consórcio versus conta de luz do mês”, afirma. Também entram nessa análise o tempo até a contemplação e, para quem poderia pagar à vista, o custo de oportunidade de manter esse dinheiro investido.
Quiron Prates acrescenta que a comparação pode incluir quatro alternativas: pagamento à vista, financiamento, consórcio ou manutenção da compra de energia da distribuidora. Oliveira resume a lógica de longo prazo: “o consórcio tem prazo para acabar; a necessidade de energia, não”. A comparação, portanto, deve considerar por quanto tempo o sistema continuará gerando economia depois do fim das parcelas.



