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17 setembro 2026

Como seismômetros podem ajudar a prever a intensidade de furacões

Equipamentos sísmicos na Louisiana capturaram dados valiosos do furacão Isaac em 2012, revelando um novo método para monitorar tempestades.

Como seismômetros podem ajudar a prever a intensidade de furacões

Em uma descoberta revolucionária, pesquisadores da Universidade Stanford demonstraram que equipamentos utilizados para monitorar terremotos podem fornecer informações valiosas sobre furacões. Publicado na última quinta-feira (06) na revista Science o estudo analisou dados coletados durante a passagem do furacão Isaac pela Louisiana em 2012.

Liderada por Qing JiEric Dunham e Ipshita Dey a pesquisa combina registros de seismômetros com dados de microfones capazes de detectar infrassom. Essa abordagem inovadora transforma movimentos do solo e oscilações de pressão atmosférica em indicadores das condições próximas à superfície durante uma tempestade.

Uma nova perspectiva para monitorar furacões

Furacões são sistemas complexos que podem se estender por centenas de quilômetros. Eles são formados por um centro de baixa pressão, conhecido como olho cercado por uma parede do olho onde se concentram ventos e chuvas intensas. Esses sistemas retiram energia das águas oceânicas aquecidas e apresentam uma estrutura dinâmica que pode mudar rapidamente.

Próxima à superfície terrestre, existe uma região chamada camada-limite atmosférica onde vento, calor e umidade interagem de maneira turbulenta. Compreender essas condições é crucial para prever se uma tempestade tende a ganhar ou perder força. Atualmente, essas informações são obtidas por meio de aeronaves, boias, torres de medição de vento e radares, cada um com suas limitações.

Da detecção sísmica ao monitoramento de tempestades

Inicialmente, os pesquisadores questionaram se uma tempestade do porte do furacão Isaac produziria sinais sísmicos tão numerosos que os instrumentos seriam dominados por ondas vindas de diferentes pontos do sistema. No entanto, eles descobriram um padrão diferente. Os dados dos seismômetros apresentavam forte relação com a turbulência existente nas proximidades de cada estação.

Incorporando registros de infrassom, ondas sonoras de frequência baixa que não são percebidas pelo ouvido humano, a equipe conseguiu acompanhar as alterações de pressão associadas à turbulência próxima à superfície. A combinação desses dois tipos de registro permitiu identificar a passagem do olho do furacão sobre determinadas estações, revelando as condições mais intensas da tempestade.

Verificação e aplicações futuras

Para validar o método, os pesquisadores confrontaram os registros geofísicos com informações obtidas por técnicas convencionais de monitoramento da camada-limite. Os resultados apresentaram forte correspondência, indicando que os sensores sísmicos e acústicos podem reproduzir informações compatíveis com métodos já utilizados.

A experiência com o furacão Isaac também aponta para a possibilidade de aproveitar as estações existentes para monitorar outros fenômenos atmosféricos. Em vez de servirem exclusivamente ao acompanhamento de terremotos, esses pontos de observação poderiam reunir instrumentos capazes de produzir informações úteis tanto para a geofísica quanto para a ciência atmosférica.

A equipe pretende testar a abordagem em outros furacões, incluindo sistemas mais intensos como os furacões Andrew de 1992, e Michael de 2018, ambos de categoria 5. A expectativa é que dados produzidos por redes de monitoramento já instaladas possam complementar as ferramentas disponíveis para compreender tempestades.

Os possíveis usos incluem aprimorar o acompanhamento da evolução dos furacões e fornecer subsídios para decisões relacionadas à infraestrutura, preparação para tempestades, evacuação e comunicação com a população. Essa proposta não visa substituir as técnicas existentes, mas acrescentar uma fonte adicional de observação.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.