Relatórios da Polícia Federal tornados públicos pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal descrevem um esquema em que um grupo ligado a Daniel Vorcaro fundador do Banco Master teria recorrido a documentos e canais institucionais para solicitar a remoção de contas em plataformas digitais. A retirada do sigilo desses documentos foi autorizada após pedido do presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin e consta nos autos divulgados em 10.set.2026.
Uso de portais institucionais e ofícios apócrifos
Segundo os relatórios, o grupo teria empregado indevidamente portais do tipo Law Enforcement Information Request — plataformas que recebem demandas de autoridades por meio de usuários institucionais — para encaminhar pedidos a empresas de tecnologia. Os investigadores apontam que, para dar aparência de legitimidade às solicitações, eram enviados ofícios supostamente assinados por servidores públicos. O relatório destaca que tais condutas comprometem a integridade de sistemas dedicados a investigações reais e violam normas de proteção de dados e de segurança da informação.
O documento da PF afirma que o grupo ligado a Vorcaro usava “indevidamente as estruturas estatais para promover a derrubada de perfis considerados opositores”. Esse uso irregular de canais oficiais trouxe riscos institucionais e, conforme os investigadores, produziu efeitos imediatos em ao menos um caso relatado.
Pedido contra perfil atribuído à então namorada e mensagens internas
Os autos citam um ofício falso encaminhado à Meta com menção ao Geoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) do Ministério Público do Ceará. O alvo era uma conta que Vorcaro alegou ser falsa e pertencer à sua então namorada, Martha Graeff. Em mensagem de 7 de outubro de 2024, Vorcaro escreveu: “Preciso derrubar esse perfil. Mas antes disso preciso saber quem fez isso. Pessoa criou isso e foi atrás da minha filha, você acredita nisso? Esse filha da puta quero achar nem que seja no inferno”.
As tentativas de remover a conta continuaram até 9 de outubro. Um integrante do grupo identificado como Luiz Phillipe Machado Mourão conhecido como Sicário registrou mensagens coordenando novos envios à plataforma: “Mestre, além do pedido que foi enviado, hoje reenviamos um novo pedido, pedindo mais urgência da parte do Facebook”. No mesmo dia, Sicário afirmou que a conta alvo havia sido banida pela Meta.
Impacto da ação sobre a plataforma
A PF aponta que o episódio evidencia que “o episódio evidencia que as solicitações encaminhadas — ainda que irregulares — produziram efeito imediato perante a plataforma”. Essa constatação levou os investigadores a aprofundar a verificação sobre como os pedidos foram formulados e quais credenciais institucionais foram utilizadas.
Uso de credenciais do Ministério Público do Ceará
As apurações indicaram que, naquele caso específico, as solicitações irregulares partiram do endereço de e-mail de uma servidora do MP-CE. Os investigadores ressaltam que, “Embora não seja possível, neste momento, determinar se houve participação consciente da servidora ou se suas credenciais foram utilizadas de forma indevida por terceiros”, o fato objetivo é que os pedidos foram enviados a partir desse endereço institucional, o que conferiu aparência de legitimação a pedidos que não correspondiam a demandas oficiais.
O uso desse tipo de expediente — seja por falsificação de ofícios, seja por utilização indevida de credenciais — chamou a atenção das autoridades por subverter mecanismos destinados à cooperação legítima entre autoridades e plataformas, colocando em risco investigações reais e a segurança de dados pessoais.
Contexto mais amplo e menções anexas nos autos
Os relatórios da PF também relacionam o nome de Vorcaro a outras ocorrências investigadas. Entre as menções nos autos estão gastos atribuídos a Vorcaro que chegaram a R$ 84,6 milhões em 1 mês eventos com até 120 participantes, e apontamentos sobre pagamentos na ordem de 35 mi vinculados a desdobramentos anteriores. Há ainda apurações sobre tentativas de influenciar decisões judiciais, além de conexões que remontam a episódios registrados há 7 meses em investigações correlatas.
Os documentos sigilosos relacionados ao caso foram retirados do segredo de justiça em 10.set.2026. A divulgação traz detalhes que motivam novas linhas de investigação sobre o uso de canais institucionais e sobre a responsabilidade das pessoas envolvidas no encaminhamento de pedidos a plataformas.



