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17 setembro 2026

Fernanda Rodrigues e Larissa Santiago defendem maior fiscalização de conteúdos gerados por IA

Fernanda Rodrigues e Larissa Santiago alertam para os riscos da inteligência artificial e dos algoritmos de recomendação, defendendo regulação e educação midiática

Fernanda Rodrigues e Larissa Santiago defendem maior fiscalização de conteúdos gerados por IA

No cenário atual, a discussão sobre a governança das tecnologias digitais tornou-se uma questão de urgência no Brasil. Especialistas estão levantando a bandeira da necessidade de avançar na regulação de plataformas digitais e intensificar a fiscalização sobre conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) visando proteger o ambiente democrático e mitigar riscos de desinformação.

Durante o webinário Tecnologias, IA e eleições promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras nesta terça-feira (15), as pesquisadoras Fernanda Rodrigues diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS) e Larissa Santiago cofundadora da plataforma Blogueiras Negras destacaram os impactos das tecnologias digitais na sociedade civil.

Algoritmos e o controle da informação

Um dos pontos centrais da discussão foi o funcionamento dos algoritmos de recomendação. Segundo Fernanda Rodrigues, essas ferramentas não são neutras; elas atuam como curadoras que definem, de forma opaca, o que chega ao usuário. A pesquisadora defende que a regulação deve garantir transparência e autonomia, permitindo que os cidadãos optem por não consumir conteúdos padronizados.

Além da autonomia do usuário, a especialista destacou a necessidade de combater vieses discriminatórios presentes nos sistemas automatizados. Sem uma supervisão adequada, esses mecanismos podem perpetuar desigualdades sociais e raciais, amplificando discursos de ódio ou marginalizando vozes importantes no debate público.

Desafios da inteligência artificial e educação midiática

Apesar de o Brasil possuir um arcabouço regulatório reconhecido internacionalmente, as especialistas advertem que o desenvolvimento da IA ainda é dominado por grandes empresas de tecnologia, muitas vezes ignorando as demandas reais da população. Larissa Santiago ressaltou que a tecnologia, quando desprovida de controle, torna-se uma ferramenta perigosa para a desinformação.

Para a cofundadora do Blogueiras Negras, a solução passa obrigatoriamente pela educação midiática. “As pessoas não conseguem entender a diferença entre uma pessoa real e uma pessoa criada pela IA. É preciso educar a população”, pontuou. O letramento digital surge, portanto, como uma medida preventiva essencial para que o cidadão possa identificar manipulações e conteúdos sintéticos.

Impactos na política e violência de gênero

O uso de tecnologias para a desinformação não é um fenômeno novo, mas a IA generativa potencializa seus efeitos. Ao relembrar o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016, Larissa Santiago observou que a disseminação de notícias e imagens distorcidas já era uma realidade antes mesmo da popularização das ferramentas atuais. Hoje, contudo, a IA eleva o risco de violência política de gênero e raça.

O uso de deepfakes e conteúdos manipulados pode desestabilizar processos eleitorais e atacar a integridade de figuras públicas, criando um ambiente de desconfiança generalizada. O debate reforça que a tecnologia deve servir ao fortalecimento das instituições, e não como um instrumento de erosão da verdade.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.