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17 setembro 2026

Condições do Irã para reabertura do Estreito de Ormuz: o que está em jogo

O Irã exige que os EUA cumpram várias condições para reabrir o Estreito de Ormuz, incluindo o fim de sanções e bloqueios, o que pode impactar significativamente o mercado global de petróleo.

Condições do Irã para reabertura do Estreito de Ormuz: o que está em jogo

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, continua fechado, e o Irã está impondo condições rigorosas aos Estados Unidos para sua reabertura. As exigências, que vão desde a retirada de sanções até a compensação por danos de guerra, estão no centro das negociações entre as duas nações.

As negociações recentes entre o Irã e Omã têm focado em uma nova rota através do estreito, mas o Irã afirma que a reabertura depende do cumprimento de suas demandas pelos EUA. Essas condições, divulgadas pelo ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, incluem a cessação de ameaças e ataques, a retirada de forças militares, e a liberação de ativos congelados.

As exigências do Irã

O Irã apresentou seis condições principais para a reabertura do Estreito de Ormuz. Entre elas, destaca-se a exigência de que os EUA parem de ameaçar o país e apresentem garantias contra futuras ameaças. Essa demanda vai além do Memorando de Entendimento (MoU) anunciado em 17 de junho, que previa um cessar-fogo, mas não abordava explicitamente essa questão.

Outra condição importante é a cessação de ações militares não apenas contra o Irã, mas também contra seus aliados no Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque. O memorando de junho mencionava ‘Todas as frentes, incluindo o Líbano’, mas a nova exigência busca garantias de segurança regional mais amplas.

O Irã também exige o levantamento do bloqueio naval e a retirada de forças navais e aéreas do entorno do país. Embora o memorando de junho previsse o encerramento do bloqueio em 30 dias, essa medida não estava diretamente vinculada à reabertura do estreito.

Além disso, o Irã pede indenização integral pelos danos causados em duas guerras recentes, incluindo a guerra de 12 dias em 2026. A compensação, que deveria ser discutida como parte de um acordo final após o memorando de junho, agora está vinculada publicamente à reabertura do estreito.

O alívio das sanções contra o Irã também é uma das condições. Embora um cronograma para o alívio das sanções já fosse esperado como parte das negociações para um acordo final, a nova exigência é que esse alívio esteja explicitamente vinculado à reabertura do estreito.

Por fim, o Irã exige a liberação incondicional dos bens congelados e roubados do povo iraniano. Essa demanda já havia sido discutida anteriormente, mas agora está sendo vinculada diretamente à reabertura do estreito.

O impacto das exigências

As seis condições apresentadas pelo Irã representam um endurecimento da posição do país. Segundo o analista da BBC para o Oriente Médio, Sebastian Usher, essas condições já existiam como parte do acordo-quadro do MoU, mas o momento e o mecanismo parecem muito diferentes.

Usher afirma que Teerã pode sentir que tem uma posição mais forte porque o Estreito de Ormuz ‘ainda está essencialmente fechado’. No entanto, Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute, sugere que as posições públicas do Irã podem ser exageradas e que o país provavelmente irá recuar em algumas delas.

‘O que foi apresentado publicamente não é necessariamente o que se reflete na mesa de negociações’, afirma Parsi. Ele também sugere que isso poderia ser uma tática de negociação para prolongar o processo.

Parsi acredita que alguns integrantes linha-dura do regime iraniano acreditam que o país foi apressado demais ao concordar com o memorando de entendimento em junho. O acordo durou apenas alguns dias antes de ruir, com ataques recíprocos recomeçando poucos dias após sua assinatura.

Além disso, Parsi prevê que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderá ser alcançado em poucos dias. Aqueles que aguardam navios ou acompanham o preço do petróleo esperam que ele esteja certo.

Preocupações globais

O fechamento do Estreito de Ormuz tem pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de energia e a inflação mundial. Com um forte aumento nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump pode ser obrigado a considerar as exigências iranianas para tentar reduzir a inflação americana.

O petróleo do tipo Brent, referência internacional, já acumula uma alta de quase 15% desde o início da guerra. A lista de exigências do Irã frustra a expectativa do mercado de que um acordo entre o Irã e Omã poderia reabrir o estreito, aliviando os preços globais de energia.

As exigências do Irã também aumentam as preocupações sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Autoridades americanas já haviam afirmado anteriormente que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse a abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa de armas nucleares iraniano e a garantia de segurança da navegação no estreito.

Em junho, um memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das sanções petrolíferas contra Teerã. No entanto, os dois países tinham interpretações diferentes sobre o tratado e o acordo foi posto em xeque menos de duas semanas após sua assinatura.

O futuro do Estreito de Ormuz continua incerto, mas as exigências do Irã estão no centro das atenções globais, afetando não apenas as relações internacionais, mas também a economia mundial.

Beatriz Almeida