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17 setembro 2026

Delegado, escrivão e agente afastados por suspeita de desvio de vergalhões avaliados em R$ 1,4 milhão

Três servidores da Polícia Civil de Goiás foram afastados por 90 dias após suspeitas de desvio de vergalhões avaliados em R$ 1,4 milhão, apreendidos na Operação Fogo Amigo

Delegado, escrivão e agente afastados por suspeita de desvio de vergalhões avaliados em R$ 1,4 milhão

A Polícia Civil de Goiás enfrenta um grave escândalo após a Justiça determinar o afastamento de um delegado um escrivão e um agente por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de cargas apreendidas. A investigação, que começou em 2021, aponta para o desvio de vergalhões avaliados em R$ 1,4 milhão, encaminhados para um depósito particular.

O caso ganhou destaque após a Operação Fogo Amigo, que resultou na apreensão de cargas de vergalhões. Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO) os servidores afastados participaram da operação e teriam autorizado o encaminhamento dos vergalhões para um depósito do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca.

O esquema de desvio de cargas

As investigações revelam que os vergalhões apreendidos foram levados para um depósito particular sem o devido processo legal. O MP-GO afirma que o empresário Carioca era responsável por armazenar as cargas e veículos apreendidos pela delegacia durante a gestão do delegado Alexandre Bruno. Os promotores alegam que as cargas eram desviadas e vendidas clandestinamente, com o lucro sendo dividido entre o empresário e os agentes públicos.

Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões de Carioca e apreendeu seu celular. As mensagens encontradas no aparelho tratavam de supostos roubos, furtos e desvios de cargas. Um dos trechos interceptados revela que Carioca teria vendido parte das mercadorias para compensar os custos de armazenamento.

As defesas dos investigados

O delegado Alexandre Bruno negou qualquer envolvimento no esquema. Em entrevista à TV Anhanguera, ele afirmou que as mercadorias ficavam em depósitos particulares devido à falta de espaço na delegacia e que não tinha conhecimento de qualquer desvio. O delegado também colocou seu sigilo fiscal à disposição da Corregedoria da Polícia Civil.

As defesas do escrivão Silvio Pereira e do agente Antônio Gomes afirmaram que os clientes estão cientes das acusações e confiam na Justiça. O advogado do empresário Silvio Dutra informou que seu cliente está preso há quase um ano e que se manifestará no decorrer do processo.

Medidas cautelares e investigações

A Justiça determinou o afastamento dos três servidores por 90 dias, além do recolhimento de armas, distintivos e carteiras funcionais. Eles também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou um procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados.

O MP-GO acredita que os servidores também tentaram obstruir as investigações e intimidar testemunhas. O processo apresenta indícios de boletins de ocorrência com informações falsas e depoimentos de testemunhas que relataram ameaças supostamente partidas do delegado Alexandre Bruno.

A Polícia Civil informou que cumpriu todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário e que as diligências estão em sigilo. O caso continua sendo investigado, e novas revelações podem surgir nos próximos meses.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.