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17 setembro 2026

Diogo dos Santos Serpa: o caso do falso médico que enganou pacientes no Rio

A prisão de Diogo dos Santos Serpa, que se passava por médico, expõe as falhas na fiscalização da saúde e a facilidade com que falsos profissionais operam no estado do Rio.

Diogo dos Santos Serpa: o caso do falso médico que enganou pacientes no Rio

Em agosto de 2026, a prisão de Diogo dos Santos Serpa, um falso médico que atuava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, trouxe à tona as graves falhas na fiscalização da saúde no estado do Rio de Janeiro. Serpa, que se passava pelo médico Jeferson Targino Sampaio, conseguiu enganar pacientes e autoridades por quase um ano, colocando vidas em risco.

O caso ganhou destaque devido à gravidade das situações em que o falsário atuou, incluindo o acompanhamento de uma criança de 10 anos diagnosticada com meduloblastoma grau IV. A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) detalha como Serpa utilizou documentos falsos e carimbos para se passar por um profissional de saúde qualificado.

O caso de Diogo dos Santos Serpa

Diogo dos Santos Serpa foi denunciado por exercer ilegalmente a medicina e por usar documentos e identidade de terceiros para realizar atendimentos médicos. Entre outubro de 2026 e agosto de 2026, ele se passou pelo médico Jeferson Targino Sampaio, prescrevendo medicamentos, solicitando exames e acompanhando pacientes, incluindo uma criança com um tumor cerebral.

Durante a investigação, foram apreendidos carimbos e blocos de receituário em nome de Jeferson Targino Sampaio, além de receituários de controle especial em nome de outro profissional. Um laudo pericial confirmou que o material estava em condições de uso, permitindo que Serpa se passasse por médico.

O juiz Guilherme Grandmasson Ferreira Chaves, da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, considerou que a denúncia continha todos os requisitos legais para a instauração da ação penal. A prisão preventiva de Serpa foi mantida devido ao risco de reiteração delitiva e à gravidade dos fatos.

As vítimas e as consequências

Cintia Santos Matheus, mãe de Maria Eduarda Matheus, de 10 anos, foi uma das vítimas de Diogo dos Santos Serpa. A menina, diagnosticada com um tumor cerebral maligno em abril de 2026, recebeu atendimento domiciliar do falsário, que cobrava entre R$ 700 e R$ 1 mil por visita. Cintia relatou que Serpa não sabia manipular equipamentos e não tinha segurança ao receitar remédios.

— Vi minha filha ficar doente, busquei denunciar e ninguém acreditou em mim. Meu medo é que outras crianças estejam sofrendo como ela. Ele usou nome falso, visitou minha casa várias vezes, viu minha filha piorar e só sabia cobrar mais dinheiro — disse Cintia.

Além da criança, Diogo Serpa também atendia um homem de 71 anos com doença de Parkinson, hidrocefalia e autismo. A denúncia foi registrada na 63ª DP (Japeri), a mesma delegacia que determinou a detenção do falsário.

Fiscalização e responsabilidade

O caso de Diogo dos Santos Serpa não é isolado. Um levantamento do Conselho Nacional de justiça aponta que, de 2026 a junho de 2026, 2.428 casos de exercício ilegal da medicina e de ciências odontológicas e farmacêuticas chegaram ao Judiciário. Só no estado do Rio, foram 302 processos, um número próximo aos 324 episódios acumulados em São Paulo, que tem população quase três vezes maior.

A Unimed Nova Iguaçu, vinculada à empresa de home care Health+ Cuidados, à qual Serpa estava ligado, afirmou que a contratação e a conferência da documentação dos profissionais são de responsabilidade das empresas terceirizadas. A Health+ Cuidados ratificou que o nome conhecido por eles era Jefferson Targino Sampaio, profissional devidamente documentado.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) está analisando a legalidade dos registros de profissionais suspeitos. Renata Lima, vice-presidente do Cremerj, destacou a importância de denúncias e da checagem de documentos por parte das empresas.

— Os falsos médicos são criminosos. Orientamos tanto os médicos que têm dados fraudados quanto a população que se julga atendida por um falso médico que denunciem ao Cremerj e imediatamente à polícia — disse Renata Lima.

O caso de Diogo dos Santos Serpa serve como um alerta para as brechas na fiscalização da saúde e a necessidade de mecanismos mais eficazes para impedir que falsos profissionais coloquem vidas em risco.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.