Neste domingo, 4, o Brasil vota para renovar dois terços da Casa dos Senadores, com 24 unidades da Federação e o Distrito Federal em disputa. As pesquisas de intenção de voto revelam uma competição intensa entre figuras vinculadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e aquelas próximas ao presidente Lula (PT). O resultado determinará, a partir de 2027, a configuração de blocos capazes de influenciar indicações ao STF, projetos de lei e até mesmo processos de impeachment.
Mapas regionais: quem lidera onde?
O cenário regional apresenta claras divisões. No Centro-Oeste no Norte e no próprio Distrito Federal, a base bolsonarista mantém a frente, buscando ampliar a capacidade de bloqueio das indicações presidenciais ao Supremo. Ao contrário, o Nordeste demonstra maior aderência ao petismo, com candidatos ligados a Lula apresentando vantagem nas pesquisas. A região Sudeste permanece indefinida, com margens apertadas entre os principais nomes de ambos os lados.
Detalhes das pesquisas: estados em destaque
Os levantamentos recentes da Quaest apontam situações distintas. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a diferença entre os dois primeiros candidatos e o restante supera a margem de erro, colocando Mauro Mendes (União) e Janaína Riva (MDB) de um lado, e Capitão Contar (PL) e Reinaldo Azambuja (PL) do outro, ambos declarando apoio ao filho mais velho de Jair Bolsonaro. No Santa Catarina a disputa envolve carol de toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP), que aparecem empatados nas pesquisas.
Nos estados do RondôniaRoraimaTocantins e Acre candidatos que se posicionam explicitamente a favor de Flávio ocupam as duas primeiras vagas em intenção de voto. No Distrito Federal a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) lidera isoladamente, enquanto a senadora Leila do Vôlei (PDT), aliada de Lula, divide 20% dos votos com a deputada Bia Kicis (PL) e a parlamentar Erika Kokay (PT).
Nos três maiores colégios eleitorais — São PauloMinas Gerais e Rio de Janeiro — a competitividade aumentou. Em São Paulo, o ex-secretário de segurança Pública Guilherme Derrite (PP) aparece com 18% das intenções, seguido por Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambos com 15%. No Rio de Janeiro, os nomes Carlos Portinho e Carlos Jordy (ambos PL) empatam em 15% com a petista Benedita da Silva. Em Minas Gerais, o bolsonarista Domingos Sávio (PL) registra 14%, à frente de Marília Campos (PT) com 13% e de Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) com 12%.
Projeções de bancada: quem ganha e quem perde?
Se as projeções da Quaest se confirmarem, o PL pode conquistar até 25 cadeiras no Senado, passando de 15 para esse número. Mesmo com esse avanço, o partido ainda precisará de alianças para alcançar a maioria absoluta, que requer 41 votos. A vitória de dois terços da Casa, necessária para um eventual pedido de impeachment contra ministro do STF, exigiria 54 senadores alinhados.
O PT deve manter nove assentos, enquanto o PP pode subir de sete para nove. O MDB teria uma leve queda, de nove para oito cadeiras. O PSD enfrentaria a maior diminuição, reduzindo de 14 para cinco senadores. Por sua vez, o União Brasil ganharia três vagas, passando a ter oito cadeiras.
Essas transformações vão definir quem terá poder de aprovação ou veto nas indicações ao STF, nas reformas estruturais e na agenda legislativa. A disputa, portanto, não se resume a números, mas ao controle estratégico de pontos-chave da política nacional, sobretudo em questões que o grupo bolsonarista identifica como prioridade, como a tentativa de bloquear nomeações ao Judiciário.
Com a votação se aproximando, os últimos levantamentos da Quaest, programados para serem divulgados na véspera, domingo, 3, podem ainda alterar o panorama. O que se percebe, entretanto, é a intensidade da polarização e a importância de cada um dos 81 lugares em jogo, que definirão as dinâmicas do Congresso para os próximos quatro anos.



