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3 outubro 2026

Eleição do Senado: PL e PT travam corrida em 24 estados e no DF

Corrida acirrada pelo Senado coloca aliados de Flávio Bolsonaro contra o petismo em 24 estados e no DF.

Eleição do Senado: PL e PT travam corrida em 24 estados e no DF

Neste domingo, 4, o Brasil vota para renovar dois terços da Casa dos Senadores, com 24 unidades da Federação e o Distrito Federal em disputa. As pesquisas de intenção de voto revelam uma competição intensa entre figuras vinculadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e aquelas próximas ao presidente Lula (PT). O resultado determinará, a partir de 2027, a configuração de blocos capazes de influenciar indicações ao STF, projetos de lei e até mesmo processos de impeachment.

Mapas regionais: quem lidera onde?

O cenário regional apresenta claras divisões. No Centro-Oeste no Norte e no próprio Distrito Federal, a base bolsonarista mantém a frente, buscando ampliar a capacidade de bloqueio das indicações presidenciais ao Supremo. Ao contrário, o Nordeste demonstra maior aderência ao petismo, com candidatos ligados a Lula apresentando vantagem nas pesquisas. A região Sudeste permanece indefinida, com margens apertadas entre os principais nomes de ambos os lados.

Detalhes das pesquisas: estados em destaque

Os levantamentos recentes da Quaest apontam situações distintas. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a diferença entre os dois primeiros candidatos e o restante supera a margem de erro, colocando Mauro Mendes (União) e Janaína Riva (MDB) de um lado, e Capitão Contar (PL) e Reinaldo Azambuja (PL) do outro, ambos declarando apoio ao filho mais velho de Jair Bolsonaro. No Santa Catarina a disputa envolve carol de toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP), que aparecem empatados nas pesquisas.

Nos estados do RondôniaRoraimaTocantins e Acre candidatos que se posicionam explicitamente a favor de Flávio ocupam as duas primeiras vagas em intenção de voto. No Distrito Federal a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) lidera isoladamente, enquanto a senadora Leila do Vôlei (PDT), aliada de Lula, divide 20% dos votos com a deputada Bia Kicis (PL) e a parlamentar Erika Kokay (PT).

Nos três maiores colégios eleitorais — São PauloMinas Gerais e Rio de Janeiro — a competitividade aumentou. Em São Paulo, o ex-secretário de segurança Pública Guilherme Derrite (PP) aparece com 18% das intenções, seguido por Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambos com 15%. No Rio de Janeiro, os nomes Carlos Portinho e Carlos Jordy (ambos PL) empatam em 15% com a petista Benedita da Silva. Em Minas Gerais, o bolsonarista Domingos Sávio (PL) registra 14%, à frente de Marília Campos (PT) com 13% e de Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) com 12%.

Projeções de bancada: quem ganha e quem perde?

Se as projeções da Quaest se confirmarem, o PL pode conquistar até 25 cadeiras no Senado, passando de 15 para esse número. Mesmo com esse avanço, o partido ainda precisará de alianças para alcançar a maioria absoluta, que requer 41 votos. A vitória de dois terços da Casa, necessária para um eventual pedido de impeachment contra ministro do STF, exigiria 54 senadores alinhados.

O PT deve manter nove assentos, enquanto o PP pode subir de sete para nove. O MDB teria uma leve queda, de nove para oito cadeiras. O PSD enfrentaria a maior diminuição, reduzindo de 14 para cinco senadores. Por sua vez, o União Brasil ganharia três vagas, passando a ter oito cadeiras.

Essas transformações vão definir quem terá poder de aprovação ou veto nas indicações ao STF, nas reformas estruturais e na agenda legislativa. A disputa, portanto, não se resume a números, mas ao controle estratégico de pontos-chave da política nacional, sobretudo em questões que o grupo bolsonarista identifica como prioridade, como a tentativa de bloquear nomeações ao Judiciário.

Com a votação se aproximando, os últimos levantamentos da Quaest, programados para serem divulgados na véspera, domingo, 3, podem ainda alterar o panorama. O que se percebe, entretanto, é a intensidade da polarização e a importância de cada um dos 81 lugares em jogo, que definirão as dinâmicas do Congresso para os próximos quatro anos.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.