Em um episódio que atraiu atenção internacional, Flávio Bolsonaro compartilhou um vídeo divulgado pelo governo Trump no qual forças americanas derrubam uma embarcação acusada de pertencer a narcoterroristas no Caribe. O clipe, que segundo especialistas violaria normas do direito internacional, serviu de ponto de partida para o filho do ex-presidente solicitar que os EUA reproduzam a ação na baía de Guanabara no Rio de Janeiro.
Convite à Casa Branca e retórica de combate ao narcoterrorismo
Durante entrevista, Flávio referiu-se ao presidente Donald Trump e questionou: “Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?” O pedido, feito publicamente, evidencia a crescente dependência da família Bolsonaro em relação à política externa norte-americana, prática que se consolida desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Relações Bolsonaro-Trump: da admiração à busca por impunidade
Logo após a vitória eleitoral, Jair Bolsonaro realizou visita à Casa Branca em 2019 declarando ser sempre admirador dos Estados Unidos. O retorno de Trump à Presidência reacendeu a esperança de que a superpotência pudesse intervir em favor do ex-presidente, que enfrenta prisão por suposta tentativa de golpe de Estado. Nesse cenário, Eduardo Bolsonaro que se estabeleceu nos EUA, atuou como articulador de sanções contra autoridades brasileiras, chegando a celebrar as tarifas americanas com o discurso: “Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre novamente. Queremos Magnitsky”.
Impactos econômicos e estratégicos
Em março o representado 01 de Jair apresentou o Brasil como “a solução” para que os Estados Unidos reduzam a dependência da China em minerais críticos, sobretudo as terras raras. A proposta visava transformar o território brasileiro em fornecedor estratégico de recursos indispensáveis à tecnologia ocidental.
Polêmica nas urnas eletrônicas e influência americana
No mês de julho o senador Flávio alimentou suspeitas ao afirmar que algumas máquinas de votação eletrônica teriam origem na empresa Smartmatic vinculada a alegados fraudes na Venezuela. Nas mesmas linhas, revelou que o modelo de atuação do Itamaraty durante a gestão Bolsonaro seguiria ideias de Marco Rubio secretário da área nos EUA, reforçando a percepção de que a política externa está alinhada ao pensamento republicano norte-americano.
Essas declarações não passaram despercebidas. O presidente Lula respondeu levantando a bandeira da soberania nacional, enquanto Flávio passou a apresentar pesquisas aos americanos para argumentar sobre o risco de vitória política de seu rival. Contudo, a linha de contato direto com a Casa Branca permanece inalterada.
A combinação de convites militares, questionamentos sobre a integridade das urnas e a busca por parcerias em recursos estratégicos revela um padrão de dependência que pode comprometer a laicidade e a pluralidade religiosa do Estado. Mesmo com a promessa simbólica de declarar o Brasil como “do Senhor Jesus Cristo”, Flávio afirmou que tal gesto seria meramente uma oração na posse, mantendo, porém, uma postura que abre precedentes para intervenções externas.



