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3 outubro 2026

Bolsonaro pede intervenção americana no Rio e critica voto eletrônico

Flávio Bolsonaro convida Estados Unidos a agir no Rio e cria polêmica sobre soberania, urnas e recursos estratégicos.

Bolsonaro pede intervenção americana no Rio e critica voto eletrônico

Em um episódio que atraiu atenção internacional, Flávio Bolsonaro compartilhou um vídeo divulgado pelo governo Trump no qual forças americanas derrubam uma embarcação acusada de pertencer a narcoterroristas no Caribe. O clipe, que segundo especialistas violaria normas do direito internacional, serviu de ponto de partida para o filho do ex-presidente solicitar que os EUA reproduzam a ação na baía de Guanabara no Rio de Janeiro.

Convite à Casa Branca e retórica de combate ao narcoterrorismo

Durante entrevista, Flávio referiu-se ao presidente Donald Trump e questionou: “Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?” O pedido, feito publicamente, evidencia a crescente dependência da família Bolsonaro em relação à política externa norte-americana, prática que se consolida desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Relações Bolsonaro-Trump: da admiração à busca por impunidade

Logo após a vitória eleitoral, Jair Bolsonaro realizou visita à Casa Branca em 2019 declarando ser sempre admirador dos Estados Unidos. O retorno de Trump à Presidência reacendeu a esperança de que a superpotência pudesse intervir em favor do ex-presidente, que enfrenta prisão por suposta tentativa de golpe de Estado. Nesse cenário, Eduardo Bolsonaro que se estabeleceu nos EUA, atuou como articulador de sanções contra autoridades brasileiras, chegando a celebrar as tarifas americanas com o discurso: “Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre novamente. Queremos Magnitsky”.

Impactos econômicos e estratégicos

Em março o representado 01 de Jair apresentou o Brasil como “a solução” para que os Estados Unidos reduzam a dependência da China em minerais críticos, sobretudo as terras raras. A proposta visava transformar o território brasileiro em fornecedor estratégico de recursos indispensáveis à tecnologia ocidental.

Polêmica nas urnas eletrônicas e influência americana

No mês de julho o senador Flávio alimentou suspeitas ao afirmar que algumas máquinas de votação eletrônica teriam origem na empresa Smartmatic vinculada a alegados fraudes na Venezuela. Nas mesmas linhas, revelou que o modelo de atuação do Itamaraty durante a gestão Bolsonaro seguiria ideias de Marco Rubio secretário da área nos EUA, reforçando a percepção de que a política externa está alinhada ao pensamento republicano norte-americano.

Essas declarações não passaram despercebidas. O presidente Lula respondeu levantando a bandeira da soberania nacional, enquanto Flávio passou a apresentar pesquisas aos americanos para argumentar sobre o risco de vitória política de seu rival. Contudo, a linha de contato direto com a Casa Branca permanece inalterada.

A combinação de convites militares, questionamentos sobre a integridade das urnas e a busca por parcerias em recursos estratégicos revela um padrão de dependência que pode comprometer a laicidade e a pluralidade religiosa do Estado. Mesmo com a promessa simbólica de declarar o Brasil como “do Senhor Jesus Cristo”, Flávio afirmou que tal gesto seria meramente uma oração na posse, mantendo, porém, uma postura que abre precedentes para intervenções externas.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.