As eleições de 2026 estão se aproximando, e os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão intensificando seus esforços para conquistar o eleitorado indeciso. Enquanto os eleitorados fiéis já estão consolidados, o verdadeiro desafio está em dialogar com aqueles que ainda estão dispostos a mudar de voto.
Especialistas destacam que as campanhas estão dedicando energia excessiva a convencer quem já fez sua escolha, em vez de focar nos eleitores que ainda podem ser persuadidos. Essa estratégia é crucial, especialmente em uma eleição que tende a ser decidida por uma margem estreita.
Compreendendo o eleitor indeciso
O fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirmou que um dos principais erros da disputa presidencial é tratar os eleitores independentes como um bloco homogêneo. Na prática, esse grupo reúne perfis muito diferentes e exige estratégias específicas.
“Existe um eleitor que não gosta muito de nenhum dos dois. Existe outro que votou no Bolsonaro e está decepcionado. Existe outro que votou no Lula e também está frustrado. É bem diferente de achar que os dois estão disputando uma mesma massa de eleitores independentes”, afirmou Meirelles.
Compreender essas diferenças é mais importante do que tentar ampliar discursos voltados às bases já consolidadas. Isso porque boa parte do eleitorado de Lula e de Flávio dificilmente mudará de posição até outubro.
A estratégia de Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro tem passado por ajustes significativos. A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para integrar a chapa representa uma mudança de rumo na estratégia, abandonando a ideia de focar na ampliação da base eleitoral para consolidar o apoio do eleitorado bolsonarista mais fiel.
Inicialmente, aliados de Flávio defendiam que a vice fosse uma mulher, visando reduzir a resistência entre o eleitorado feminino. No entanto, as conversas com potenciais candidatas não prosperaram, e o PL decidiu reforçar sua identidade junto ao eleitor bolsonarista.
Alfredo Gaspar, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de segurança pública de Alagoas, construiu sua imagem política em torno do combate ao crime organizado e da defesa de penas mais duras. Sua indicação reforça a intenção de transformar o combate ao crime em um dos eixos centrais da campanha, ao lado das críticas ao governo Lula e do discurso de endurecimento penal.
O tempo do eleitor versus o tempo da imprensa
Renato Meirelles também chama atenção para a diferença entre o tempo do eleitor e o tempo da imprensa e do mercado financeiro. Crises políticas, escândalos ou mudanças nas pesquisas costumam produzir reações imediatas em Brasília, mas demoram mais para alterar a percepção de quem está preocupado principalmente com o cotidiano.
Essa diferença de ritmo faz com que campanhas frequentemente reajam aos acontecimentos do noticiário sem que eles tenham, naquele momento, produzido efeito relevante sobre o eleitor. O analista de política da XP, Victor Scalet, também avalia que o foco das campanhas precisa estar no eleitor que ainda pode ser convencido.
“As evidências que a gente está encontrando mostram que o engajamento acaba sendo mais importante do que o efeito demográfico. Em uma eleição apertada, esse pequeno grupo de eleitores pode fazer toda a diferença”, afirmou Scalet.
Para os analistas, isso explica por que os próximos meses serão menos uma disputa para mobilizar militâncias e mais um esforço para identificar quais segmentos ainda permanecem abertos à persuasão.



