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17 setembro 2026

Governo de São Paulo: Tarcísio e Haddad discutem políticas de segurança e educação

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad confrontaram-se em um debate acalorado sobre segurança pública e educação em São Paulo, destacando suas visões e realizações

Governo de São Paulo: Tarcísio e Haddad discutem políticas de segurança e educação

Em um debate que pareceu antecipar o segundo turno, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), transformaram o primeiro encontro do primeiro turno em um palco para discussões nacionais, com segurança pública e educação como temas centrais.

Desde o início, as estratégias dos candidatos ficaram claras: enquanto Tarcísio destacou os feitos de sua gestão e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad focou em criticar a atuação do governo estadual em áreas como educaçãosegurança e privatizações defendendo as conquistas do governo petista.

Educação: avanços e desafios

A primeira pergunta do debate abordou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no estado, que registrou um avanço de apenas 0,1 ponto. Tarcísio defendeu sua gestão, afirmando que está fazendo um trabalho muito forte e prometeu lançar um pacto pela matemática avançar com o ensino integral e a alfabetização.

O governador anunciou ainda um programa de educação com Inteligência Artificial e destacou que sua gestão recebeu o selo ouro da alfabetização do Ministério da Educação (MEC) além de avanços no ensino técnico.

Fernando Haddad, por sua vez, classificou a situação da educação no estado como grave. O ex-ministro afirmou que a gestão de Tarcísio recebeu São Paulo na terceira posição do Ideb e que o estado caiu posições após quatro anos. Haddad destacou que apenas 61% das crianças estão alfabetizadas na idade certa, contra 66% do nível nacional, um dado que considerou inadmissível.

Segurança pública: estratégias e críticas

No bloco de perguntas livres, Tarcísio valorizou o fim da Cracolândia um projeto que visou combater o uso aberto de drogas no centro de São Paulo. Ele questionou o programa Braços Abertos lançado por Haddad quando era prefeito da cidade.

Haddad rebateu, afirmando que o projeto não tinha como objetivo combater o tráfico de drogas mas sim ajudar os usuários. Ele destacou que dois terços das pessoas atendidas pelo programa deixaram o uso do crack e de outras drogas. O ex-ministro também chamou a atenção para o aumento de feminicídios no estado, classificando a situação como uma epidemia de violência contra a mulher.

Tarcísio reconheceu que o estado tem muito a avançar, mas destacou melhorias em diversos indicadores. Ele citou a ampliação da rede de proteção às mulheres o protocolo Não se Cale e o Espaço Lilás além de treinamentos para policiais atenderem vítimas de violência. O governador afirmou ainda que São Paulo tem os menores indicadores do país de homicídio, latrocínio e roubo de carga.

Haddad contestou o diagnóstico apresentado por Tarcísio, questionando a capacidade do estado de combater organizações criminosas. Ele afirmou que não é verdade que está havendo combate ao PCC citando suspeitas de infiltração do crime organizado nas forças de segurança. O petista também questionou mudanças no comando da Polícia Militar e cobrou explicações sobre a atuação do governo estadual na área.

Tarcísio respondeu citando investigações e operações contra o crime organizado, como a Operação Carbono Oculto e a Operação Posto Lavado. Ele destacou o aumento do efetivo policial a realização de concursos para as forças de segurança e investimentos em inteligência, como o Smart Sampa e a Muralha Paulista. O governador afirmou que a sensação de segurança melhorou 10 pontos.

Privatizações e economia

No terceiro bloco, Haddad criticou o programa de concessões e privatizações do governo paulista. Ele afirmou não ser contra a participação da iniciativa privada, mas questionou o modelo adotado pela atual gestão. Haddad citou a privatização do sistema funerário de parques e da Sabesp além de questionar os planos do governo para a rede estadual de ensino.

O petista também fez críticas à situação do transporte metropolitano e cobrou uma avaliação do governador sobre problemas registrados em serviços concedidos ou administrados pelo estado. Haddad acusou Tarcísio de ser decoreba e de não responder às suas perguntas de forma satisfatória.

Tarcísio rebateu as críticas, afirmando que o sistema de transporte sobre trilhos passou anos sem investimentos relevantes. A discussão avançou para tarifas de serviços concedidos e para a privatização da Sabesp. O governador afirmou que as tarifas caíram após a privatização, mas argumentou que não poderiam permanecer congeladas.

Haddad rebateu, afirmando que consumidores passaram a pagar mais por diferentes serviços após concessões e privatizações. Tarcísio afirmou que a curva tarifária da Sabesp está atualmente 15% abaixo da projetada, enquanto Haddad disse que, caso eleito, pretende revisar contratos firmados pela atual gestão.

O debate sobre contratos também chegou aos benefícios tributários concedidos pelo estado. Tarcísio afirmou que sua administração reduziu incentivos e direcionou os recursos obtidos para investimentos. Haddad e Tarcísio também disputaram o protagonismo na área da saúde destacando os recursos destinados ao SUS paulista.

Na reta final, Tarcísio questionou Haddad sobre propostas para ampliar a resiliência hídrica enquanto Haddad criticou o grupo político do governador, relacionando a discussão às mudanças climáticas.

Beatriz Almeida