Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Estratégia de Pablo Marçal na corrida presidencial: como ele pode impactar a direita

Pablo Marçal, do PRTB, entra na corrida presidencial com uma estratégia que visa unir a direita contra Lula.

Estratégia de Pablo Marçal na corrida presidencial: como ele pode impactar a direita

Pablo Marçal, empresário e influenciador digital, anunciou sua candidatura à Presidência da República pelo PRTB, redefinindo as estratégias da direita na disputa eleitoral. Sua entrada na corrida presidencial, registrada no último dia do prazo, tem como objetivo principal unir os votos conservadores e antipetistas, visando derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A estratégia de Marçal é clara: evitar a fragmentação dos votos da direita, que poderia beneficiar Lula. Ele busca concentrar os votos antipetistas, atacando diretamente os candidatos da terceira via, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Essa abordagem visa fortalecer a barreira eleitoral contra o petista.

Estratégia de união da direita

Marçal defende que a prioridade da direita deve ser a derrota de Lula, acima de disputas internas. Ele acredita que a união dos conservadores é essencial para evitar uma quarta vitória do petista. Sua candidatura surge como uma segunda linha de ataque, complementando a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL), que preserva o eleitorado consolidado.

Em uma sabatina ao canal Brasil Paralelo, Marçal afirmou que evitar a vitória de Lula é a prioridade de toda a direita. Ele justificou sua estratégia de evitar confrontos diretos com Flávio Bolsonaro, argumentando que uma desidratação excessiva do candidato do PL poderia beneficiar Lula e até facilitar sua reeleição no primeiro turno.

Relação com Flávio Bolsonaro

A aproximação entre Marçal e Flávio Bolsonaro não é recente. Em 17 de dezembro de 2026, Marçal declarou apoio ao senador em um evento em Barueri (SP), prometendo ir à ‘guerra’ com ele. Essa aproximação continuou mesmo após sua mudança de partido. Em 6 de março de 2026, antes de se filiar ao União, Marçal afirmou que tentaria convencer a nova legenda a apoiar Flávio.

Apesar do apoio declarado, o União e o PP, com os quais forma federação partidária, acabaram se declarando neutros na reta final da eleição presidencial. Essa neutralidade pode indicar uma estratégia mais ampla de Marçal, que busca unir a direita sem depender de alianças formais.

Impacto na disputa eleitoral

A candidatura de Marçal tem gerado reações entre os rivais. Renan Santos, candidato do Missão, classificou Marçal como ‘folclórico’ e afirmou que sua entrada na disputa beneficia o PL. A reação de Santos revela o impacto que a candidatura surpresa de Marçal pode ter, especialmente entre os nomes que procuram romper a polarização entre Lula e Flávio.

Marçal prevê que sua candidatura pode tirar votos de candidatos como Ronaldo Caiado, admitindo até convidá-lo para seu governo. Essa mensagem rejeita a viabilidade eleitoral de Caiado e busca a unidade da direita. O domínio de Marçal nas redes sociais e sua linguagem provocadora permitem alcançar segmentos que campanhas tradicionais têm dificuldade.

O empresário encontra ressonância particular entre evangélicos, jovens e empreendedores. Sua combinação de fé, prosperidade, mérito e ascensão pessoal dialoga com um eleitorado majoritariamente antipetista, mas que nem sempre se identifica integralmente com a liderança da família Bolsonaro.

Incertezas jurídicas

A candidatura de Marçal ainda enfrenta incertezas jurídicas. Ele foi condenado à inelegibilidade pela terceira vez, mantendo a proibição de concorrer a cargos eletivos até 2032. A liminar que permitiu seu retorno ao PRTB e o registro da candidatura ainda está sujeita à análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Adriano Cerqueira, professor de relações políticas do Ibmec-BH, avalia que a entrada de Marçal acrescenta incerteza por seu poder de comunicação. Ele considera difícil que Marçal retire votos de Flávio e avalia que o impacto dependerá do alvo escolhido e de quanto tempo a candidatura sobreviverá.

A variável decisiva para saber até onde Marçal ajudará Flávio está na duração de sua candidatura e a direção de suas baterias. Se concentrar ataques em Lula e na terceira via, poupando o senador, ele poderá funcionar como linha auxiliar da direita. No entanto, se disputar frontalmente a liderança conservadora, poderá fragmentar esse campo e obrigar o PL a reagir.

Beatriz Almeida