A Casas Bahia está enfrentando um momento delicado. A EY firma responsável pela auditoria externa da varejista, recusou-se a emitir uma opinião sobre as demonstrações financeiras do segundo trimestre de 2026. A decisão foi tomada devido a incertezas relevantes sobre a continuidade operacional da empresa, um sinal preocupante para o mercado.
A negativa de opinião por parte dos auditores é um evento grave, pois indica que não foi possível acessar ou confirmar informações necessárias para a avaliação dos números. A EY destacou em seu relatório que “não foi possível concluir sobre o uso da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho de 2026, tampouco determinar eventuais efeitos ou ajustes nas informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas, nessa data”.
Prejuízos bilionários e indicadores financeiros preocupantes
A situação financeira da Casas Bahia é alarmante. A varejista registrou um prejuízo de R$ 11,18 bilhões durante o primeiro semestre de 2026. Além disso, o passivo circulante excedeu o ativo circulante em R$ 11,97 bilhões e R$ 7,83 bilhões individual e consolidado, respectivamente. O patrimônio líquido negativo ficou em R$ 8,27 bilhões no período.
A EY chamou a atenção para uma das notas explicativas que indicam que esses eventos ou condições, juntamente com outros assuntos descritos, “podem levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” da empresa. A varejista deveria ter publicado o balanço financeiro até a sexta-feira (14), mas registrou os documentos às 02:24 deste domingo, o que pode resultar em uma multa ordinária conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Cortes drásticos e reestruturação operacional
Diante dos prejuízos bilionários, a Casas Bahia implementou uma série de cortes em sua operação. A varejista fechou 298 lojas e demitiu 1,9 mil funcionários, uma das maiores reduções já realizadas em sua história recente. As demissões e fechamentos de lojas ocorreram principalmente entre a quinta-feira (13) e a sexta-feira (14).
A empresa afirmou ter avançado em seu “plano de transformação” entre 2026 e 2026, mas apontou uma piora nos mercados financeiro e de capitais. A direção da Casas Bahia se reuniu durante a semana com bancos parceiros e um escritório de advocacia para discutir possíveis medidas para contornar a situação.
Atraso na divulgação do balanço e consequências
A divulgação do balanço financeiro do segundo trimestre foi adiada, o que gerou expectativa no mercado. Fornecedores e parceiros aguardam novas medidas da empresa para tentar reverter o quadro financeiro. O atraso na prestação de informações periódicas ao mercado pode resultar em multas, conforme o artigo da resolução CVM 47/21.
A situação da Casas Bahia reflete os desafios enfrentados pelo setor varejista em um cenário econômico complexo. A empresa está em um momento crítico, e as decisões tomadas nos próximos meses serão fundamentais para determinar seu futuro.



