Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Fiesp e OAB exigem transparência no STF após revelações sobre Moraes e Vorcaro

Em meio à crise no STF, entidades empresariais e a OAB pressionam por uma apuração rigorosa e transparente sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Fiesp e OAB exigem transparência no STF após revelações sobre Moraes e Vorcaro

Em meio a uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) entidades empresariais e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão pressionando por uma apuração rigorosa e isenta sobre as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na última segunda-feira (7.set.2026), o prédio da Fiesp exibiu a bandeira do Brasil em sua fachada antes de um ato contra Lula e Moraes na av. Paulista sinalizando o início de uma mobilização mais ampla.

Manifesto exige resposta rápida e transparência

A Fiesp e outras entidades empresariais devem publicar na próxima quarta-feira (9.set.2026) um manifesto cobrando do STF uma resposta rápida e apuração rigorosa sobre as revelações. O documento será acompanhado por um hotsite que permitirá que qualquer pessoa assine e declare apoio à iniciativa.

Para os organizadores, o manifesto é uma reação da sociedade civil à condução do caso pelo STF e à percepção de que a Corte poderia minimizar as revelações para preservar Moraes. O objetivo é cobrar esclarecimentos e impedir que as suspeitas sejam encerradas sem investigação.

Crise no STF: Fachin aguarda explicações

O presidente do STF, ministro Edson Fachin aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes para decidir se leva a crise para julgamento no plenário. A crise ganhou gravidade sem precedentes com a divulgação de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e Vorcaro. Fachin deve aguardar até a próxima sexta-feira (11.set.2026), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Possíveis desdobramentos

Fachin pode convocar uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna. Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli em fevereiro deste ano.

No processo consta um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado. Moraes, por sua vez, pediu que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Conversa no Planalto revela insatisfação

Em uma conversa reservada no Planalto com a presença de Paulo Gonet, Fachin demonstrou insatisfação com as ações de Moraes e Mendonça. O presidente do STF sinalizou a intenção de submeter as acusações mútuas ao plenário da Corte.

Durante o encontro, Fachin indicou que as suspeitas e representações que surgiram ao longo da semana são graves e não devem ser resolvidas apenas por decisões individuais. Lula defendeu que a Corte apresentasse respostas claras e sem margem para dúvidas sobre as providências éticas e jurídicas tomadas no caso.

O posicionamento de Lula converge com declarações públicas feitas por Fachin, que afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que fatos graves demandam respostas institucionais firmes.

A crise institucional tem origem na Operação Compliance Zero da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master. Durante a apuração, foram encontradas mais de 50 mensagens no celular de Vorcaro, envolvendo autoridades públicas do Judiciário e do Ministério Público Federal.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.