Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Zimerman reage a investigação sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

Sergio Zimerman, fundador da Petz, faz duras críticas à investigação sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e defende mobilização popular.

Zimerman reage a investigação sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

Em um discurso inflamado durante o Fórum Negócios Brasil em São Paulo, o fundador da PetzSergio Zimerman não poupou críticas às recentes revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o empresário Daniel Vorcaro do Banco Master.

Zimerman, que participou do evento na última quarta-feira, 2 de setembro de 2026 fez um apelo emocionado à população brasileira, defendendo que as ruas devem ser ocupadas caso as investigações não resultem em consequências concretas.

Investigação e controvérsias

O relatório da Polícia Federal (PF) com 218 páginas foi produzido a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento revela mensagens, registros de chamadas, contratos e outros arquivos, incluindo conversas com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” e referências a encontros entre o empresário e o ministro.

Além disso, o material inclui contratos envolvendo o escritório Barci de Moraes Advogados ligado à mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Um desses contratos, firmado com o Banco Master em 2024, previa honorários líquidos de R$ 108 milhões em três anos, totalizando R$ 131,3 milhões em valores brutos.

Críticas ao procurador-geral da República

Zimerman também criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet por pedir a anulação do relatório da PF. Gonet questionou a competência do ministro André Mendonça para determinar a investigação, alegando “dupla nulidade” no processo.

Segundo Gonet, a PF realizou uma análise detalhada dos contatos encontrados no telefone de Vorcaro, com 188 das mais de 200 páginas do informe policial dedicadas a Alexandre de Moraes. O procurador-geral ressaltou que o nome de Moraes já constava de informes policiais anteriores e que Mendonça tinha conhecimento de que a apuração alcançaria pessoas com foro por prerrogativa de função.

Gonet sustentou que compete ao plenário do STF conduzir eventual investigação envolvendo um integrante da própria Corte. Ele citou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) segundo a qual, quando surgem indícios da prática de crime por magistrado durante uma investigação, a autoridade policial deve remeter os autos ao Tribunal ou órgão especial competente para que decida sobre o prosseguimento da apuração.

Reação de Sergio Zimerman

Durante sua fala no Fórum Negócios Brasil, Zimerman comparou a discussão processual a uma investigação hipotética que identificasse um crime grave, mas que posteriormente fosse anulada por problemas na forma como as provas foram obtidas.

“Imagina que, por exemplo, fosse uma investigação que não tivesse autorização, mas que tivesse flagrado uma pessoa, sei lá, praticando pedofilia. Aí quer dizer, não interessa o que foi feito, interessa que não podia ser feito daquela forma”, disse Zimerman.

Ele também afirmou que outros processos relevantes já foram anulados no Brasil por questionamentos sobre o rito adotado e pediu o fim do que chamou de “sem-vergonhice” no país.

“Chega de tanta sem-vergonhice!”, declarou Zimerman, que foi aplaudido de pé pelo público presente. O empresário, que atualmente é presidente do conselho de administração do Grupo Petz Cobasi, classificou as mensagens entre Vorcaro e Moraes como “coisas estarrecedoras sobre quem é praticamente o grande xerife do Brasil”.

Zimerman não citou outros nomes, mas afirmou que “não é a primeira vez que se anula um processo no Brasil por questionamentos sobre o rito”. “Pessoas foram descondenadas porque o jeito de fazer não seguiu um determinado rito processual”, disse.

Beatriz Almeida