O Governo de Mato Grosso assinou, na data marcada como 8 (referida como 8.9 em comunicados oficiais), um contrato que prevê o financiamento de R$ 15 milhões para a reconstrução do Shopping Popular de Cuiabá. O recurso será distribuído por meio da Desenvolve MT com verba do Fundes (Fundo de Desenvolvimento Econômico) e destina-se à recuperação da estrutura atingida por um incêndio em julho de 2024 além da compra de equipamentos e modernização do espaço.
Desde o incêndio de grandes proporções, ocorrido em 15 de julho de 2024 o comércio local passou a operar em uma instalação provisória montada no estacionamento do antigo centro. O movimento para a retomada das atividades teve participação direta da Associação dos Lojistas e Camelôs do Shopping Popular cuja cessão de receitas e taxas condominiais foi prevista como garantia da operação financeira.
Termos do contrato e garantias previstas
O financiamento foi autorizado com base no Projeto de Lei nº 481/2026, aprovado em abril deste ano pela Assembleia Legislativa. As condições do crédito incluem juros equivalentes a IPCA mais 2% ao anoaté dois anos de carência antes do início dos pagamentos e prazo total de até cinco anos para quitação. Como contrapartida, está prevista a cessão das receitas da Associação dos Lojistas e Camelôs do Shopping Popular incluindo as taxas condominiais pagas pelos comerciantes.
Os recursos serão liberados de forma escalonada conforme o avanço das obras, com pagamentos feitos diretamente aos fornecedores responsáveis pela reconstrução. A legislação que autorizou a operação limita o uso do dinheiro exclusivamente à reconstrução da infraestrutura à aquisição de equipamentos e à modernização do centro comercial.
Reações de autoridades e representantes dos comerciantes
O governador Otaviano Pivetta participou da assinatura e destacou a relevância social e econômica do empreendimento. Em suas declarações, ele ressaltou a mobilização comunitária e o pedido dos lojistas: “A tragédia que aconteceu aqui assustou a todos nós que moramos em Cuiabá e Várzea Grande, e gerou uma comoção geral. A iniciativa da Associação dos Lojistas e Camelôs do Shopping Popular, de buscar uma forma de reconstruir a estrutura, nos sensibilizou. Se é importante para os lojistas, é importante para o Estado também e, sendo importante para o Estado, buscamos uma maneira de viabilizar esse apoio.”
Para Misael Oliveira Galvão presidente da Associação dos Lojistas e Camelôs do Shopping Popular, o financiamento representa uma conquista histórica: “Hoje o Shopping Popular gera mais de 10 mil empregos e está se tornando uma referência por renascer das cinzas. Pela primeira vez na história, uma associação de pequenos empresários, camelôs, vai conseguir uma linha de crédito para a reconstrução do Shopping Popular”, afirmou.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman enfatizou a tradição do equipamento comercial e seu papel no turismo e na cultura local, lembrando que o estabelecimento existe há décadas e integra a experiência de quem visita a cidade. Já Rodrigo Verão presidente da Desenvolve MT explicou que a operação financeira foi estruturada para garantir que os recursos sejam aplicados exclusivamente na recuperação do empreendimento e na manutenção da renda dos trabalhadores envolvidos.
Enquanto a obra de reconstrução não se conclui, os comerciantes mantêm as atividades em um espaço provisório no estacionamento do local original, atitude que preserva empregos e movimento comercial. O contrato prevê a liberação momentânea dos recursos conforme a execução física das intervenções, e os pagamentos serão direcionados aos fornecedores contratados para as reformas.
O modelo adotado — com garantia pela cessão de receitas da própria associação de comerciantes — busca equilibrar o risco financeiro e dar previsibilidade às partes envolvidas. A sequência dos trabalhos, os cronogramas de liberação e a finalização da reconstrução dependerão do progresso das obras e da comprovação de gastos conforme os termos legais que autorizaram o financiamento.



