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17 setembro 2026

Grupo Casas Bahia busca reorganização financeira com pedido de recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia, incluindo marcas como Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com, entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões. A medida visa reorganizar passivos e proteger o caixa, mantendo as operações normais.

Grupo Casas Bahia busca reorganização financeira com pedido de recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia, um dos maiores varejistas do Brasil, deu um passo significativo ao entrar em recuperação judicial Com uma dívida total de R$ 17,3 bilhões a empresa busca reorganizar seus passivos e garantir a continuidade de suas operações. O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo.

Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, afirmou que a recuperação judicial é um instrumento para resolver os passivos estruturais da companhia, e não o desti “O destino continua o mesmo: ter uma operação saudável e rentável”, destacou Franklin em uma teleconferência realizada nesta segunda-feira (17).

Impacto do cenário macroeconômico

A decisão de entrar em recuperação judicial foi influenciada por um cenário macroeconômico desafiador. Segundo Franklin, a alta dos juros, a guerra entre Estados Unidos e Irã e a volatilidade no cenário eleitoral afetaram diretamente os planos da empresa. “A gente começou a ter um cenário macro muito diferente”, explicou o CEO, mencionando a pressão sobre o petróleo e a elevação da curva de juros.

Esses fatores resultaram na redução dos limites de crédito com seguradoras e na dificuldade de captação de recursos no mercado de capitais. “Isso acabou resultando na redução dos limites de algumas seguradoras, comprometendo nossa capacidade de compra”, afirmou Franklin. Apesar da evolução operacional, os resultados não foram suficientes para cobrir todos os passivos financeiros.

Estratégias de reorganização

O Grupo Casas Bahia já havia iniciado um processo de transformação, conhecido como Fase 2 do Plano de Transformação. A estratégia inclui priorizar canais e categorias de maior margem e rentabilidade, reduzir o capital empregado e o custo de financiamento, e fortalecer a geração de caixa. “Em um ciclo mais adverso e com custo de capital ainda alto, entendemos que o tamanho que se justifica é menor”, afirmou a administração.

Como parte desse plano, a empresa já fechou 298 lojas de baixo desempenho e reduziu custos e despesas. Além disso, está revisando os canais digitais, adequando estoques e capital de giro, e buscando alternativas para diminuir o custo financeiro. “Nos canais digitais, a prioridade passa a ser margem e retorno sobre o capital empregado”, explicou a Casas Bahia.

Operações continuam normais

Apesar do pedido de recuperação judicial, as operações do Grupo Casas Bahia não foram interrompidas. A empresa continua atendendo clientes em seus canais físicos e digitais e trabalhando com fornecedores dentro das condições estabelecidas pelo processo de reorganização. “O pedido de recuperação judicial não interrompe a operação do Grupo Casas Bahia”, afirmou a empresa em comunicado.

O Grupo Casas Bahia possui mais de 30 mil colaboradores e opera mais de 700 lojas físicas, incluindo as marcas Casas Bahia, Ponto Frio, e Bartira. A empresa também informou a demissão de cerca de 3.000 funcionários e o fechamento de quase 300 lojas como parte do processo de reorganização.

No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, impactado por efeitos contábeis não recorrentes. Apesar disso, a companhia apresentou geração de caixa no trimestre, com um fluxo de caixa livre de R$ 800 milhões. A receita líquida avançou 1,6%, para R$ 7 bilhões, e o resultado operacional ajustado chegou a R$ 518 milhões, com margem de 7,4%.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.