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27 setembro 2026

Hubble atinge marca histórica de 200 mil voltas em órbita

Hubble celebra 200 mil voltas ao redor da Terra, provando que altitude inteligente prolonga missões espaciais

Hubble atinge marca histórica de 200 mil voltas em órbita

Com 36 anos de serviço, o Telescópio Espacial Hubble alcançou a impressionante marca de 200 mil voltas ao redor do planeta. Desde o seu lançamento, ele acumulou mais de 1,7 milhão de observações que transformaram a astronomia moderna. Essa conquista coloca o Hubble entre um seleto grupo de sistemas orbitais ainda ativos que ultrapassaram a barreira dos 200 mil ciclos, demonstrando a eficiência de seu projeto e a importância da escolha orbital.

Detalhes da órbita do Hubble

O Hubble segue uma trajetória quase circular, variando entre 470 e 475 kilômetros de altitude. Cada volta dura exatamente 94 minutos, permitindo que o observatório complete cerca de 15,3 órbitas por dia. Essa cadência constante, mantida ao longo de mais de duas décadas, foi fundamental para a contagem de 200 mil órbitas. A escolha de uma altitude intermediária entre as faixas mais baixas, onde o arrasto atmosférico é intenso, e as altitudes mais altas, que demandam mais energia de lançamento, garante um equilíbrio entre frequência de passagem e durabilidade do satélite.

Por que a altitude influencia a longevidade orbital

Satélites em órbitas baixas típicas de 200 a 300 km, completam um ciclo em menos de 90 minutos, mas enfrentam um denso ambiente atmosférico residual. Esse atrito causa desaceleração progressiva, reduzindo a vida útil até que o veículo reentre na atmosfera e se desintegre. Já altitudes acima de 500 km apresentam um espaço quase vazio diminuindo drasticamente o arrasto e prolongando a operação. O Hubble, posicionado próximo a 470 km, está suficientemente acima da camada atmósfera densa para evitar a rápida degradação, mas ainda suficientemente baixo para permanecer acessível a missões de serviço, como as missões de reparo realizadas pelos ônibus espaciais.

Comparativo com outros satélites de longa duração

O recorde do Hubble pode ser contextualizado ao lado de outros pioneiros. O Vanguard 1 lançado em março de 1958, ainda segue em órbita após mais de 274.550 ciclos, embora sua missão original tenha sido limitada. Dois satélites científicos superam até mesmo esse número: o Explorer 7 com 347.440 órbitas desde outubro de 1959, e o TIROS-1 que completou 352.640 voltas após seu lançamento em março de 1960. Ambos foram inseridos em órbitas elípticas de maior altitude, permitindo a acumulação de voltas mesmo com missões curtas. A Estação Espacial Internacional operando desde 1998, já registrou cerca de 152.800 órbitas, orbitando a cada 93 minutos. Embora o número seja inferior ao do Hubble, a ISS destaca-se por sua natureza habitável e contínua manutenção humana.

Impacto da conquista para a ciência e o futuro das missões

Alcançar 200 mil órbitas reforça a confiança na estratégia de manutenção orbital e no planejamento de missões de longo prazo. Cada ciclo oferece oportunidades de observação, calibragem de instrumentos e coleta de dados de fundo que enriquecem os arquivos científicos. Além disso, demonstra que, com manutenção adequada e escolha orbital acertada, telescópios e satélites podem permanecer operacionais muito além das expectativas iniciais, servindo como referência para futuros projetos como o James Webb Space Telescope e missões de observação da Terra.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.