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17 setembro 2026

Investigação da PF revela falhas críticas no acidente da Voepass em 2026

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pelo acidente aéreo da Voepass em Vinhedo, incluindo o dono da companhia, José Luiz Felício Filho. Descubra como falhas técnicas e operacionais levaram à tragédia.

Investigação da PF revela falhas críticas no acidente da Voepass em 2026

A tragédia aérea que abalou o Brasil em 9 de agosto de 2026, quando um avião da Voepass caiu em Vinhedo (SP), resultando na morte de todos os 58 passageiros e 4 tripulantes, teve suas causas detalhadas pela Polícia Federal. A investigação revelou uma série de falhas técnicas e operacionais que culminaram no desastre.

Em 4 de agosto de 2026, durante seu depoimento, o empresário José Luiz Felício Filho admitiu ter conhecimento de uma cultura de omissão dentro da companhia, onde pilotos evitavam registrar problemas nos diários de bordo para não reter as aeronaves em solo. Essa prática, segundo o relatório da PF, foi um dos elementos centrais para o acidente.

As falhas que levaram ao desastre

A aeronave PS-VPB decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo para uma região com previsão confirmada de formação de gelo severo. A investigação apontou que a perda de controle em voo foi decorrente do acúmulo de gelo, da inoperância do sistema de degelo e da não execução imediata dos procedimentos de emergência pela tripulação.

Felício Filho reconheceu que a aeronave não deveria estar em operação naquela condição e que a viagem não deveria ter acontecido. “A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota,” afirmou ele durante seu depoimento.

Os indiciados e suas responsabilidades

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas, incluindo diretores de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais. Entre os indiciados estão o dono da companhia, José Luiz Felício Filho, e o diretor de manutenção Eric Cônsoli.

Os indiciados respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo previsto no artigo 261 do Código Penal. A pena prevista varia de 2 a 5 anos de prisão, podendo chegar a 4 a 12 anos se resultar na queda ou destruição da aeronave. Se houver morte, a pena pode ser aplicada em dobro.

Os principais indiciados

José Luiz Felício Filho empresário e piloto comercial há mais de 30 anos, é o proprietário e principal gestor da Voepass. Ele foi indiciado por ter ciência da cultura de omissão que permitiu que aeronaves inseguras operassem em rotas com previsão de gelo severo.

Marcel Sarquis Moura diretor de operações da companhia, foi indiciado por não garantir que as operações seguissem as normas de segurança. Como gestor, era responsável por setores que ignoraram restrições técnicas graves da aeronave acidentada.

Eric Cônsoli diretor de manutenção, foi indiciado por pressionar equipes de pista para liberar aviões inoperantes. Ele afirmou em depoimento que sempre trabalhou para garantir que todas as aeronaves voassem com 100% de condição de navegabilidade.

As consequências para a Voepass

Após a tragédia, a Voepass entrou em colapso operacional. Em março de 2026, a Anac determinou a suspensão cautelar de todas as operações da empresa devido à persistência de falhas estruturais e à degradação dos sistemas de gestão de segurança. Em junho de 2026, a agência reguladora cassou definitivamente o Certificado de Operador Aéreo (COA) e o Certificado de Organização de Manutenção (COM) da companhia.

Atualmente, as atividades da empresa estão encerradas, e o grupo lida com processos de reestruturação para quitar dívidas milionárias, incluindo débitos trabalhistas. A Voepass afirma que sempre adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Anac e que contava com a certificação IOSA desde 2012.

A companhia reforça que suas tripulações eram compostas por profissionais experientes, com mais de 5 mil horas de voo, e que os treinamentos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo. A Voepass colabora integralmente com as autoridades e aguarda os próximos desdobramentos processuais.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa