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17 setembro 2026

Irã Lista 45 Navios por Violações no Estreito de Ormuz e Ameaça Medidas

O Irã incluiu 45 navios em uma lista de restrições no Estreito de Ormuz, ameaçando multas, detenção e confisco de cargas. Descubra como isso afeta o comércio global e as tensões regionais.

Irã Lista 45 Navios por Violações no Estreito de Ormuz e Ameaça Medidas

O Irã anunciou a inclusão de 45 navios em uma lista de restrições no Estreito de Ormuz, intensificando suas medidas contra embarcações que violam suas regras de navegação. Essa ação ocorre seis meses após o início do conflito na região e reflete a crescente tensão entre Teerã e os Estados Unidos.

As embarcações listadas podem sofrer multas, detenção e confisco de suas cargas, segundo a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico um novo órgão criado pelo Irã para administrar a via navegável estratégica. O alerta foi emitido poucos dias após os EUA ameaçarem o Irã com sanções severas e Teerã prometer uma resposta devastadora.

Navios de Grande Porte e Empresas Afetadas

A lista de restrições inclui navios de grande porte para transporte de petróleo bruto, conhecidos como VLCCs além de navios-tanque de GNL (gás natural liquefeito) e GLP (gás liquefeito de petróleo), e embarcações para produtos refinados. Entre as empresas afetadas estão a ADNOC Logistics and Shipping dos Emirados Árabes Unidos, a Navig8 Tankers subsidiária da ADNOC, e a Bahri companhia nacional de transporte marítimo da Arábia Saudita.

Qualquer embarcação envolvida em transferências de carga entre navios listados também poderá ser incluída na lista, segundo a publicação iraniana no X. A publicação não detalhou exatamente quais seriam as regras do Irã, mas Teerã já havia declarado anteriormente que os proprietários de navios deveriam obter autorização do país para transitar pelo estreito e que as embarcações deveriam pagar por serviços de segurança e outros serviços.

Estratégias de Navegação e Controle do Estreito

Dados da empresa de inteligência marítima Kpler mostram que, entre 1 e 19 de agosto, 112 navios transportando petróleo bruto, GNL e GLP passaram pelo Estreito de Ormuz. Dessas embarcações, 21 usaram abertamente a rota com destino ao Irã e apenas 2 usaram oficialmente a rota com destino a Omã. Os 89 navios restantes, responsáveis por mais de 80% do tráfego total de petróleo e gás pelo estreito durante esse período, navegaram por rotas ‘ocultas’ ou não especificadas.

Essa situação ocorre quando a jornada do navio não pode ser totalmente rastreada ou claramente vinculada a uma rota definida porque o navio desligou seu transponder do Sistema de Identificação Automática (AIS) ou os dados do AIS não correspondem às rotas de navegação do lado iraniano ou omanita. Essa prática de desligar os transponders GPS é uma estratégia para evitar detecção e possíveis interceptações em uma zona de guerra ativa.

Rotas de Navegação e Medidas de Segurança

Antes do aumento das tensões, o Estreito de Ormuz era considerado uma via navegável unificada. No entanto, desde o início do conflito entre os EUA e o Irã, a hidrovia foi dividida em duas rotas principais: a rota do norte, apoiada pelo Irã, e a rota do sul, apoiada por Washington. A maioria dos navios está optando por rotas ‘ocultas’ para evitar ataques de mísseis iranianos e sanções dos EUA.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright afirmou que a média de sete dias de petróleo saindo do Estreito supera 8 milhões de barris por dia, graças à proteção da Marinha dos EUA. No entanto, a realidade é que o medo de desagradar Teerã parece superar o medo de sanções e ameaças da administração Trump.

Observadores acreditam que o Irã ainda mantém um controle considerável sobre o tráfego através do Estreito de Ormuz. No entanto, o uso crescente de logística alternativa e a implementação de medidas de segurança marítima reforçadas na região refletem que a capacidade de Teerã de exercer pressão através do estreito não é absoluta.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.