Na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, o ministro Gilmar Mendes utilizou seu perfil no X para registrar que sua postura contrária aos pagamentos de precatórios não agradou o proprietário do banco master Daniel Vorcaro. O banco havia adquirido créditos relacionados a disputas judiciais em que usinas de açúcar e álcool buscam indenizações da União por supostos prejuízos nas décadas de 1980 e 1990. Segundo a Advocacia-Geral da União o conjunto dessas ações poderia representar um impacto de até R$ 145 bilhões nas contas federais.
Encontro institucional entre Gilmar Mendes e Daniel Vorcaro
Em 11 de abril de 2024, o ministro recebeu Vorcaro e a equipe de advogados do Banco Master em seu gabinete, na sede do Supremo Tribunal Federal. A reunião, descrita como realizada em ambiente institucional e amparada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994, teve como pauta o processo da Destilaria Alcídia S/A (ARE 1.327.995), de relatoria do ministro Edson Fachin. Gilmar afirmou que, durante a sessão, manteve a postura de voto contrário ao pagamento, posição que acabou vencida quando a maioria da 2ª Turma – composta por Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli – decidiu em favor da empresa.
Posicionamento do ministro nos litígios do setor sucroalcooleiro
Gilmar Mendes detalhou que seu entendimento se manteve constante em todos os casos analisados pela Turma. No julgamento de junho de 2025 sobre a Destilaria Alcídia, ele votou contra o pagamento e foi derrotado. Em agosto de 2024, no processo contra a Jalles Machado (ARE 1.392.660), registrou dois votos contrários, ambos vencidos, acompanhados por André Mendonça. No caso da Raízen (ARE 1.312.127), seu voto também foi contra a indenização, culminando em decisão favorável à União em 16 de setembro de 2024. Além disso, em sessão da STP 976-ED, opôs-se ao desembolso de mais de R$ 5 bilhões relativos a precatórios similares. Em todas as situações, o ministro reiterou a necessidade de perícia técnica para comprovar efetivo prejuízo antes de qualquer pagamento.
Controvérsias envolvendo o ex-cunhado Chiquinho Feitosa
Investigação jornalística revelou que, na época da reunião de abril de 2024, Vorcaro teria firmado contrato com o empresário Chiquinho Feitosa então ex-cunhado de Gilmar Mendes. O acordo incluía pagamentos mensais de R$ 500 mil, além de um primeiro pagamento de R$ 800 mil. O ministro, porém, declarou que desconhecia qualquer tratativa entre Vorcaro e Feitosa, afirmou não ter sido procurado sobre o assunto e ressaltou que não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente. A nota oficial do gabinete reforça que a audiência ocorreu em ambiente institucional, sem vínculo com interesses pessoais.
Demandas de acesso ao celular de Vorcaro e implicações internas no STF
Em setembro de 2026, gabinetes dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin solicitaram à Polícia Federal o acesso integral ao conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, apreendido como parte de investigação sobre supostas irregularidades financeiras. Enquanto o ministro André Mendonça defendia manutenção do sigilo para preservar a integridade da investigação, outros colegas – entre eles Alexandre de Moraes – pediam a liberação imediata dos dados. A PF informou que o material original permanece sob custódia formal, com cópias disponíveis mediante autorização judicial. O debate interno ressalta a tensão entre transparência investigativa e proteção dos procedimentos judiciais.
Em síntese, Gilmar Mendes mantém firme sua posição de oposição ao pagamento de indenizações que, em seu entendimento, carecem de comprovação pericial e contrariam precedentes vinculantes do STF. A reunião com o Banco Master, os votos contrários nos processos de Destilaria Alcídia, Raízen e Jalles Machado, bem como as controvérsias envolvendo o ex-cunhado, foram alvo de esclarecimentos ao público, reforçando a separação entre atividades institucionais e interesses particulares.



