Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Nepal e China enfrentam catástrofes naturais: geleiras colapsam e inundações causam caos

Inundações repentinas e colapsos de geleiras no Nepal e China deixam milhares de desaparecidos e centenas de mortos. Descubra os desafios enfrentados e os esforços de resgate em curso.

Nepal e China enfrentam catástrofes naturais: geleiras colapsam e inundações causam caos

Na última semana, uma série de desastres naturais devastou o Nepal e a China, deixando um rastro de destruição e caos. Inundações repentinas e o colapso de geleiras na região do Himalaia causaram centenas de mortes e deixaram milhares de pessoas desaparecidas. As autoridades estão lutando para acessar as áreas afetadas e fornecer assistência humanitária urgente.

O Escritório do Coordenador Residente da ONU no Nepal publicou um relatório na segunda-feira (31), destacando os desafios humanitários enfrentados pela população local. Entre as principais preocupações estão a desnutrição aguda grave em crianças, a propagação de doenças e o número crescente de famílias desalojadas.

Desafios humanitários e acesso às áreas afetadas

O relatório da ONU aponta que cerca de 2.600 crianças menores de cinco anos precisam de tratamento para desnutrição aguda grave. Além disso, milhares de gestantes necessitam de apoio nutricional. A erosão das margens dos rios, pontes danificadas e falhas nas estradas estão dificultando o acesso às áreas afetadas.

Persistem desafios de acesso nas áreas afetadas devido à erosão das margens dos rios, pontes danificadas, falhas nas estradas e interrupções nos serviços de eletricidade e comunicação”, afirmou o relatório. Além disso, mais de 100 crianças podem ter sido separadas de seus pais ou responsáveis, e pelo menos 19 escolas foram danificadas pelas inundações.

Riscos de colapso de geleiras e lagos de barragem

A emissora estatal chinesa CCTV, citando o Ministério de Recursos Hídricos da China, alertou sobre o risco de colapso de geleiras perto de áreas afetadas por inundações. Geleiras ao redor de uma cratera de impacto no Nepal “ainda podem colapsar, apresentando riscos potenciais significativos”, segundo o ministério.

Novas imagens de drone captadas na manhã desta terça-feira (1º) mostraram que a água acumulada na cratera de impacto do rio Chhochen Khola, no Nepal, “praticamente escoou”, e o rio flui normalmente. No entanto, o risco de colapso da geleira permanece, alertou o ministério.

Autoridades chinesas informaram que o risco representado por um dos principais lagos de barragem formados após as inundações catastróficas da semana passada está agora “sob controle”, com toda a água já escoada. O lago de barragem Purepu Tsangpo “escoou totalmente sua água, com o risco sob controle”, informou a CCTV, citando autoridades de emergência.

Número de vítimas e esforços de resgate

O número de mortos nas inundações repentinas e no deslizamento de terra ocorridos na semana passada no Nepal e na China ultrapassou 1.000 na manhã desta terça-feira (1°). Ao menos 1.003 corpos foram encontrados, segundo a autoridade de gerenciamento de desastres do país. Enquanto prosseguem as operações de resgate das mais de 4.400 pessoas que continuam desaparecidas.

O Departamento de Turismo do Nepal divulgou uma lista com os nomes de 583 estrangeiros desaparecidos após as inundações. A lista evidencia a dimensão global da tragédia, com cidadãos de 38 países incluindo os Estados Unidos, entre os desaparecidos.

Especialistas apontam que a catástrofe foi provocada pela queda de um grande bloco de gelo que, ao transferir sua energia cinética ao rio Bhote Koshi, provocou uma onda de água e lama que invadiu a tibetana Gyirong e avançou por quilômetros em território nepalês.

Enquanto equipes de resgate e forças de segurança no Nepal e no Tibete correm contra o tempo para localizar sobreviventes e levar ajuda urgente aos vales do Himalaia, autoridades alertaram para o risco de novas ondas de enchente e deslizamento de terra na área. Com 389 mortes confirmadas no Nepal e três na China, além de mais de mil desaparecidos, o risco de uma nova catástrofe se agrava com a identificação de um lago de água represada que pode transbordar e subir o nível dos rios novamente.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa