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17 setembro 2026

Intervenção histórica no mercado cambial: Japão e EUA agem para fortalecer o iene

O Japão e os Estados Unidos realizaram uma intervenção histórica no mercado cambial para fortalecer o iene, que atingiu seu menor valor em décadas.

Intervenção histórica no mercado cambial: Japão e EUA agem para fortalecer o iene

O Japão e os Estados Unidos estão trabalhando em conjunto para estabilizar o iene que tem enfrentado uma desvalorização sem precedentes. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama confirmou que ambos os países reconhecem a importância de uma moeda japonesa ordenada e estão coordenando esforços para conter a queda.

Esta colaboração se tornou evidente após o Japão gastar um valor recorde de US$ 96,4 bilhões em intervenções cambiais entre 30 de julho e 26 de agosto. O Ministério das Finanças japonês divulgou que foram utilizados 15,4 trilhões de ienes para sustentar a moeda, o maior volume já registrado em um mês.

Intervenção coordenada entre Japão e EUA

A intervenção coordenada entre o Japão e os EUA em 31 de julho marcou a primeira ação conjunta desde 1998. A ministra Satsuki Katayama e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent afirmaram que estão preparados para retornar ao mercado sempre que necessário. A participação dos EUA, embora simbólica, reforçou a mensagem de que a preocupação com a fraqueza do iene é compartilhada pelo principal parceiro econômico do Japão.

Segundo Rinto Maruyama estrategista sênior da SMBC Nikko Securities a quantia gasta pelo Japão é enorme. Ele destacou que, mesmo após gastar 27 trilhões de ienes em intervenções este ano, o iene continua a enfrentar pressões de desvalorização, mantendo-se em torno de 160 por dólar.

Estratégias inovadoras e impacto no mercado

As autoridades japonesas têm testado novas estratégias para surpreender os operadores do mercado. Em uma mudança significativa, o governo entrou no mercado um dia antes da decisão de política monetária do Banco do Japão (BOJ) rompendo com a prática recente de intervir após decisões do Banco Central ou divulgações de indicadores econômicos relevantes.

No próprio dia da decisão do BOJ, Tóquio e Washington intervieram conjuntamente no mercado. Esta ação conjunta reforçou a determinação das autoridades em conter novas perdas da moeda. O iene chegou a se fortalecer para 155,23 por dólar em 3 de agosto ante quase 164 por dólar imediatamente antes da primeira operação, em 30 de julho.

Perspectivas futuras e o papel do Federal Reserve

As intervenções recentes têm alimentado especulações de que o Banco do Japão poderá elevar os juros em setembro o que daria suporte adicional ao iene. Keiichi Iguchi estrategista sênior da Resona Holdings afirmou que os fatores que favorecem um enfraquecimento do dólar estão aumentando, apesar de ainda haver algum caminho a percorrer.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent afirmou que as recentes oscilações do iene estão bem contidas sinalizando que a queda da moeda japonesa não configura o tipo de movimento desordenado que motivou a intervenção conjunta. Ele destacou que o Japão já conquistou a deflação e migrou para a chamada Takaichi-nomics sob a atual primeira-ministra Sanae Takaichi.

Bessent também mencionou que planeja se encontrar com o presidente do BOJ, Kazuo Ueda à margem do G20. Ele elogiou Ueda, afirmando que é um excelente economista e que o banco central japonês estuda elevar a taxa de juros já em setembro.

O iene fraco tem sido um problema para os formuladores de política japoneses, elevando os preços das importações e a inflação mais ampla. A comunicação mais dura do BOJ, no entanto, não conseguiu sustentar o piso da moeda. As próximas decisões do Federal Reserve serão fundamentais para definir a trajetória do iene daqui para frente.

Rafael Oliveira