Desde 2018, o Brasil tem registrado um número significativo de tornados, com mais de 500 ocorrências mapeadas em todo o território nacional. Esses fenômenos, caracterizados por colunas de vento que giram rapidamente e se conectam a nuvens de tempestade, têm sido mais frequentes em regiões específicas, conforme dados do projeto Prevots uma iniciativa de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)Universidade de OklahomaInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM).
Os tornados são classificados em diferentes tipos, cada um com características distintas. A supercélula por exemplo, é uma tempestade que gira inteiramente, podendo gerar tornados mais intensos e duradouros. Já as linhas de instabilidade produzem tornados de força intermediária, enquanto as trombas d’água e terrestres são menos intensas.
Distribuição Geográfica dos Tornados
Dos 524 tornados registrados desde junho de 2018, 227 ocorreram em apenas três estados: Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53). Essa concentração se deve a fatores geográficos e climáticos únicos da região. O ar quente e úmido vindo da Amazônia encontra o ar frio e seco da Argentina, criando um contraste que acelera o vento em altitude, um fenômeno conhecido como cisalhamento.
As cidades mais afetadas incluem Sarandi e Guaíba no Rio Grande do Sul, e Dourados no Mato Grosso do Sul, cada uma com nove registros de tornados. Outras cidades como Horizontina (RS), Xanxerê (SC) e Ananindeua (PA) também têm registrado múltiplas ocorrências.
Identificação e Classificação dos Tornados
Os pesquisadores utilizam uma rede de buscas por relatos em redes sociais e notícias para identificar possíveis tornados. Essas informações são cruzadas com imagens de satélite ambiental, que revelam o rastro de dano na vegetação, ajudando a confirmar a extensão e intensidade do fenômeno. Com base nesses dados, os registros são confirmados na plataforma como oficiais.
Segundo o levantamento do Prevots as trombas d’água e terrestres respondem por 58% do total dos tornados registrados no país, enquanto as supercélulas, que podem ser mais fortes, correspondem a 27%. Isso indica que a maioria dos tornados no Brasil é do tipo menos intenso, embora ainda representem um risco significativo.
Previsão e Prevenção
Apontar uma região com chance de tempestades capazes de gerar tornado é possível com até 24 horas de antecedência. No entanto, prever o local exato e o horário preciso é desafiador devido à natureza rápida e pequena escala desses fenômenos. Um tornado tem menos de um quilômetro de diâmetro e raramente dura mais de meia hora, o que limita a janela de previsão.
Embora o Brasil não tenha um banco de dados oficial dedicado a rastrear tornados, iniciativas como o Prevots são fundamentais para entender e mitigar os riscos associados a esses eventos climáticos. A conscientização e a preparação das comunidades afetadas são essenciais para reduzir os impactos desses fenômenos naturais.



