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17 setembro 2026

Open Finance: 240 milhões de consentimentos, mas eficiência ainda é desafio

O Open Finance, criado pelo Banco Central em 2020, alcançou 240 milhões de consentimentos, mas enfrenta desafios de eficiência com 61,5% das consultas sendo consideradas desperdício.

Open Finance: 240 milhões de consentimentos, mas eficiência ainda é desafio

O Open Finance sistema que permite o compartilhamento de dados financeiros entre instituições, atingiu a marca de 240 milhões de consentimentos conforme pesquisa da Zetta associação de empresas de tecnologia e serviços financeiros. No entanto, a plataforma enfrenta desafios significativos de eficiência, com 61,5% das consultas retornando dados desatualizados e sem valor para o cliente.

Esse problema está intrinsecamente ligado ao modelo de polling utilizado pelo Open Finance, onde as instituições receptoras de dados precisam consultar periodicamente as transmissoras para verificar atualizações. Esse mecanismo gera um volume elevado de chamadas que não necessariamente refletem um uso efetivo ou geração de valor para o consumidor.

Modelo de mensageria como alternativa

A pesquisa da Zetta aponta que um modelo de mensageria poderia aumentar o índice de aproveitamento das chamadas para 85% com ganhos semanais de eficiência superiores a 50 pontos percentuais. Uma das associadas da Zetta verificou que apenas 22,6% das transações de crédito consumidas mensalmente foram efetivamente aproveitadas, enquanto 77,4% foram descartadas devido a atrasos de três a seis dias na disponibilização dos dados.

“Como consequência, as receptoras são forçadas a consultar janelas históricas repetidamente para tentar capturar atualizações tardias e manter os casos de uso atualizados, o que eleva ainda mais a redundância do consumo”, afirma a pesquisa.

Evolução e desafios do Open Finance

A Prova de Conceito de mensageria realizada em 2025 deve servir como ponto de partida para o mapeamento de modelos de notificação e outras alternativas viáveis para melhorar o Open Finance. A associação destaca a necessidade de demandas como portabilidade salarial e crédito consignado ganharem espaço na plataforma.

O fluxo de portabilidade ainda é considerado “extremamente burocrático e lento“. Em 2025, mais de 50% dos pedidos de portabilidade foram recusados, com 87% dessas recusas ocorrendo por inconsistências cadastrais. A Zetta argumenta que o Open Finance resolveria automaticamente esse problema, já que os dados são validados no momento do consentimento do cliente.

A portabilidade do crédito consignado para servidores públicos federais depende do avanço da integração do Serpro/Siape com o Open Finance.

Crescimento e perspectivas

Criado em 2020 pelo Banco Central o Open Finance permite que clientes de bancos compartilhem seus dados entre diferentes instituições financeiras para obter melhores condições de crédito e ofertas de produtos mais personalizadas. O sistema registrou um aumento de 54% nos consentimentos em relação ao ano passado, passando de 155,6 milhões para 240 milhões.

“Poucos países no mundo alcançaram, em tão pouco tempo, um ecossistema de compartilhamento de dados financeiros dessa magnitude, sustentado por uma estrutura regulatória robusta”, destaca o estudo. Apesar dos avanços, a evolução da ferramenta depende do amadurecimento e automatização do processo de monitoramento, da melhoria de performance das instituições participantes e da busca por maior eficiência na arquitetura de consumo de dados.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.