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17 setembro 2026

Potencial de expansão da Vale em Carajás e desafios regulatórios

A Vale está explorando a possibilidade de expandir sua produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano com o projeto do bloco C em Carajás, mas enfrenta desafios regulatórios.

Potencial de expansão da Vale em Carajás e desafios regulatórios

A Vale está de olho em um futuro promissor para a produção de minério de ferro no Brasil. O presidente da companhia, Gustavo Pimenta revelou nesta terça-feira que a empresa tem potencial para aumentar sua capacidade de produção em até 50 milhões de toneladas por ano caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C localizado na região de Carajás no Pará.

No entanto, Pimenta destacou que reformas regulatórias são essenciais para que o projeto possa ser concretizado. Durante o congresso de mineração Exposibram o executivo mencionou as dificuldades para desenvolver novos megaprojetos no país e defendeu medidas governamentais, como a publicação de um decreto prometido pelo governo que trata de cavidades naturais o que poderia agilizar os licenciamentos.

O potencial do bloco C e os desafios regulatórios

O bloco C, parte do complexo de Serra Sul é visto como uma das maiores oportunidades para a Vale. Atualmente, a empresa desenvolve o projeto S11D na região, mas o bloco C, junto com os blocos B e A, representa um potencial significativo para um novo projeto de mineração. “No minério de ferro, a gente tem várias oportunidades. Talvez uma das grandes seja o corpo C de Serra Sul”, afirmou Pimenta.

O executivo também ressaltou a importância da modernização regulatória para viabilizar o projeto. “A modernização (com o decreto de cavidades) é importante para isso. A gente ainda não tem o capex fechado (para o bloco C), mas é um projeto relevante de 40 milhões a 50 milhões de toneladas potencialmente”, explicou.

O papel do governo e a importância das terras raras

O ministro de Minas e EnergiaAlexandre Silveira também se manifestou sobre o tema. Ele afirmou estar convicto de que a Vale deverá incluir em seu plano estratégico a realização de grandes projetos no Brasil voltados a minerais críticos e estratégicos com ênfase nas terras raras. A declaração ocorreu após a cerimônia de abertura da Exposibram promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Silveira destacou que o Brasil tem potencial para se firmar como protagonista na oferta de minerais ligados à transição energética. Ele acredita que as terras raras podem se tornar um vetor de reindustrialização, com desdobramentos positivos para o emprego, a renda e a inclusão social. “Por ser uma referência global no setor mineral, a Vale deve naturalmente ampliar o olhar para além do minério de ferro e assumir papel de destaque nesse movimento”, afirmou o ministro.

A necessidade de reformas estruturais

Para que novos projetos possam ser viabilizados, Pimenta destacou a necessidade de reformas em áreas como licenciamento ambientalmapeamento geológico e regulação setorial. Sem esses ajustes, a tendência é que novos empreendimentos continuem enfrentando atrasos e incertezas, impactando diretamente a capacidade do país de atrair investimentos no setor.

O último grande empreendimento nessa escala, lembrado por Pimenta, foi a mina de ferro S11D em Canaã dos Carajás (PA), que entrou em operação há dez anos. A Vale segue tendo o minério de ferro como carro-chefe, mas mantém operações relevantes em níquel e cobre dois metais essenciais à transição energética.

A aproximação entre governo e Vale

A relação entre o governo e a Vale tem mudado de tom recentemente. Silveira, que em ocasiões anteriores havia feito críticas severas à mineradora, agora destaca a importância da empresa para o desenvolvimento do setor. Ele afirmou ter satisfação em ver Gustavo Pimenta à frente da Vale, destacando características como sensibilidade e abertura para negociar.

Essa nova fase do relacionamento institucional ajudou a reduzir um histórico ponto de tensão entre a mineradora e o poder público, abrindo caminho para uma agenda mais cooperativa. Silveira também mencionou a importância de aperfeiçoar as regras ambientais e destravar projetos que dependem de licenciamento para sair do papel.

Um dos desdobramentos práticos dessa aproximação envolve a publicação de um decreto destinado a definir regras ambientais mais claras para a proteção de cavidades naturais subterrâneas. Segundo Silveira, o texto está na Casa Civil, passando por ajustes jurídicos e técnicos, mas já é objeto de consenso entre os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente.

A medida é vista por mineradoras, incluindo a Vale, como um instrumento capaz de reduzir margens de interpretação e dar mais previsibilidade aos processos de licenciamento. O tema ganhou relevância depois que o ministro visitou operações da Vale no Pará e percebeu de perto como a indefinição regulatória pode impactar o cronograma de grandes investimentos.

Para o setor, regras claras sobre cavidades naturais tendem a evitar controvérsias técnicas e jurídicas que hoje se arrastam por anos e acabam inviabilizando ou adiando projetos relevantes para a mineração brasileira.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.