O mercado do ouro está em alta, com os preços dos contratos futuros superando a marca de US$ 4.511,3 por onça-troy nesta quarta-feira (19). Essa valorização ocorre em um cenário de intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos e uma crescente demanda por parte de bancos centrais, especialmente da China.
Na Comex divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex) o ouro para entrega em outubro fechou com um aumento de 2,81%. Essa alta reflete não apenas a busca por ativos seguros em meio a incertezas econômicas, mas também a estratégia do Tesouro americano de estabilizar os rendimentos dos títulos de longo prazo.
Intervenção do Tesouro dos EUA no mercado de títulos
O Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (19) que dobrará o volume de suas recompras de títulos de longo prazo, uma medida destinada a conter a onda de vendas que elevou os custos de financiamento a níveis não vistos em anos. As recompras, que antes somavam US$ 2 bilhões foram aumentadas para US$ 4 bilhões visando títulos com vencimento entre 10 e 30 anos.
Essa ação resultou em uma queda nos rendimentos dos títulos de 30 anos, que recuaram 0,09 ponto percentual para 5,2%. Os títulos de 10 anos, referência global, também viram seus rendimentos diminuírem 0,07 ponto percentual para 4,64%. A decisão ocorre em um contexto de tensões inflacionárias e preocupações com o aumento da dívida pública.
Demanda chinesa e compras de bancos centrais sustentam o ouro
A demanda chinesa por ouro tem sido um dos principais motores para a alta do metal precioso. Segundo a corretora Phillip Nova a procura por investimento em ouro na China fortaleceu-se significativamente no primeiro semestre de 2026. Além disso, as compras contínuas de ouro por bancos centrais ao redor do mundo têm fornecido uma base sólida para os preços do metal.
Essa demanda estrutural contrasta com o cenário de incertezas nos mercados de títulos, onde a guerra entre os Estados Unidos e o Irã e os altos preços do petróleo têm contribuído para a volatilidade. A alta dos rendimentos dos títulos indica uma desvalorização dos papéis o que, por sua vez, afeta as taxas de juros de dívidas corporativas e empréstimos ao consumidor.
Perspectivas e desafios para o mercado
Analistas como Daniel Murray vice-diretor de investimentos da EFG International destacam que o governo está apreensivo com o trecho mais longo da curva de rendimentos e busca conter a queda. Robert Tipp estrategista-chefe de investimentos da PGIM avalia que a decisão de ampliar as recompras é um sinal importante de preocupação com a onda de vendas.
Enquanto isso, a dívida total do governo norte-americano se aproxima de US$ 40 trilhões um aumento de cerca de US$ 5 trilhões em dois anos. Essa situação levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dos gastos públicos e a capacidade do mercado de absorver novos títulos.
No cenário internacional, a alta dos rendimentos dos títulos tem repercutido em outros países, como CanadáJapão e Alemanha onde os papéis também foram negociados com rendimentos elevados. A demanda crescente por empréstimos tanto por governos quanto por empresas de tecnologia, adiciona pressão ao mercado.
Em meio a essas incertezas, o ouro continua a se destacar como um ativo de refúgio beneficiando-se da demanda robusta e das intervenções no mercado de títulos. A combinação desses fatores sugere que os preços do metal precioso podem manter sua trajetória ascendente nos próximos meses.



