Em 2017, o empresário paulistano Ricardo Bottura então executivo de grandes companhias, descobriu o poke durante uma viagem a trabalho ao Havaí. Na ocasião, enquanto liderava a área comercial de uma startup de entregas, aceitou o convite para provar a iguaria em um restaurante local. A experiência despertou a ideia de levar aquele prato saudável e prático ao Brasil, contribuindo para a criação da Let’s Poke ao lado da esposa Julia e do sócio João.
Da curiosidade ao modelo de negócio
Bottura já acumulava passagem por empresas como Whirlpool, Brastemp, Consul, KitchenAid, além de ter ocupado cargos de liderança comercial na Loggi e na Rápido, que integrava o ecossistema iFood. Foi nesse ambiente de delivery que percebeu a sinergia entre três tendências: alimentação saudável, praticidade e entrega rápida. “Tem um produto muito legal que eu acho que vai muito bem no delivery, prático, saudável. A gente sempre se apoiou nessa tríade de alimentação saudável, prática e que viaje bem no delivery”, recorda o CEO.
Estrategia de expansão e desempenho recente
Em 2025, a rede registrou R$ 38 milhões de faturamento, número que deverá subir para R$ 65 milhões em 2026. O crescimento provém de duas frentes: abertura de novas unidades e aumento de receita nas lojas já consolidadas. O Same Store Sales – indicador de vendas das lojas maduras – subiu 26 % entre 2025 e 2026, reforçando que a expansão não depende exclusivamente de novos pontos.
“Nos últimos anos, a gente vem trabalhando muito a marca, a qualidade e a execução de cada loja“, enfatiza Bottura. Ele acrescenta que a empresa tem mantido alta performance por três anos consecutivos, superando a média de mercado, com mais de 35 % de crescimento em um dos anos anteriores.
Modelo de franquia, investimentos e metas para 2030
Atualmente, a Let’s Poke opera 11 lojas e planeja chegar a 50 unidades até 2030. A expansão prioriza pontos de rua, pois mais de 70 % das vendas são realizadas via delivery tornando shoppings menos atrativos por aumentarem o tempo de entrega. O investimento necessário para abrir uma loja de rua varia entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão**, enquanto dark kitchens em cidades já atendidas custam cerca de R$ 400 mil**.
Para garantir padronização, a franqueadora homologou fornecedores e mantém parcerias estratégicas para ingredientes críticos, como a couve crispy, que exige processos específicos. “Para escalar a rede com uma maior qualidade, é ter essa padronização de alguns itens que sejam muito difíceis“, explica o executivo.
Além de ampliar o número de pontos, a empresa foca no fortalecimento da base existente. “O cliente poder comer aquilo várias vezes na semana ou no mês e ser um cliente fiel, recorrente“, afirma Bottura, reforçando que a recorrência é o pilar que transforma o poke em um negócio sustentável, e não em um modismo passageiro.



