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18 setembro 2026

Rendimento e ocupação de brasileiros com deficiência segundo IBGE

Censo revela enorme diferença salarial, baixa ocupação e desafios de moradia para brasileiros com deficiência.

Rendimento e ocupação de brasileiros com deficiência segundo IBGE

Os números divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trazem um retrato ainda desigual da vida econômica dos brasileiros que possuem algum tipo de deficiência. A partir do censo de 2022 foram identificados 13,71 milhões de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) com deficiência, mas apenas 3,97 milhões estavam inseridas no mercado de trabalho, o que corresponde a um nível de ocupação de 29 %.

Renda média e distribuição por setores

O rendimento médio mensal do emprego formal para quem tem deficiência foi de R$ 2.053, cerca de 70 % do que recebem os trabalhadores sem deficiência (R$ 2.890). Em todos os grupos de atividade econômica, a diferença foi negativa, e a maior parte dos trabalhadores com deficiência está concentrada em setores historicamente de baixa remuneração – serviços domésticos, agropecuária, alojamento e alimentação. Por outro lado, o segmento de administração pública, educação, saúde e serviços sociais oferece o melhor pagamento para esse público, com média de R$ 3.223, ainda 78 % da remuneração dos colegas sem deficiência (R$ 4.146).

Alfabetismo e diferenças por faixa etária

O censo apontou que o analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência atinge 12,2 %, contra apenas 1 % dos não-deficientes. Essa disparidade se amplia nas faixas seguintes: 30-39 anos (13,5 % × 2 %), 40-49 anos (15 % × 4,8 %), 50-59 anos (18 % × 7,9 %) e 60 anos ou mais (27,9 % × 14,4 %). Embora a proporção de idosos com deficiência explique parte do cenário, a diferença permanece relevante mesmo entre os mais jovens, indicando barreiras educacionais que vão além da questão etária.

Condições de moradia e acesso a serviços básicos

Mais da metade (56,6 %) das residências de pessoas com deficiência possui acesso simultâneo a água tratada, coleta de lixo e esgoto, percentual inferior ao de quem não tem deficiência (60,2 %). A presença de máquina de lavar chega a 60,4 % nesses lares, contra 68,9 % nas demais famílias. O acesso à internet também é menor: 78,9 % dos domicílios com deficiência estão conectados, enquanto 90,2 % dos demais têm disponibilidade. Em áreas externas, 67,4 % das casas apresentam obstáculos nas calçadas e apenas 12,9 % contam com rampas adequadas, quando comparados a 65,2 % e 15,4 % da população geral, respectivamente.

Desigualdade de gênero, raça e ocupação

Entre as pessoas com deficiência, a taxa de ocupação varia segundo cor/raça: homens pretos e pardos chegam a 36 %, enquanto homens brancos ficam em 34,6 %. Nas mulheres, pretas e pardas registram 25,6 % de ocupação, contra 22,7 % das brancas. Curiosamente, entre os não-deficientes o padrão se inverte, com maior ocupação entre brancos. No âmbito familiar, 30,1 % das crianças e adolescentes de 2-17 anos com deficiência vivem apenas com mãe ou madrasta, contra 21,5 % dos sem deficiência. Essa vulnerabilidade se intensifica quando a família está abaixo da linha de pobreza (35,1 %).

Em síntese, os dados do IBGE revelam que, apesar de representar 7,3 % da população total, as pessoas com deficiência ainda enfrentam salários menores, menor participação no mercado de trabalho, níveis de alfabetismo elevados e acesso restrito a serviços essenciais. A divulgação ocorre poucos dias antes do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, reforçando a necessidade de políticas públicas focadas na inclusão plena.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.