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1 novembro 2026

Riad mantém eventos de energia apesar de mísseis e drones

Congresso de energia em Riad segue firme apesar de ataques que vitimaram aeroporto e ameaçam o estreito de Ormuz.

Riad mantém eventos de energia apesar de mísseis e drones

Na manhã de domingo, a fachada do gigantesco centro de exposições de Riad recebeu um alerta externo: um possível míssil se aproximava da capital saudita. Dentro do pavilhão, a mensagem era outra – os representantes do setor de petróleo e gás foram instruídos a permanecer em seus assentos, pois o príncipe Abdulaziz bin Salman ministro da Energia, subia ao palco para abrir o Congresso Mundial de Energia (WPC Energy Congress).

O clima de tensão se originou nos ataques recentes aos mísseis e drones lançados pelos rebeldes houthis do Iêmen, aliados ao Irã. O Aeroporto Internacional Rei Khalid, principal porta de entrada da capital, sofreu duas incursões que deixaram 17 mortos e centenas de feridos, forçando a suspensão indefinida das operações comerciais. Bilhões de dólares em investimentos foram realocados, com voos sendo desviados para aeroportos da região ou cancelados por completo. CEOs de gigantes como Exxon, Shell, Chevron e BP optaram por não comparecer ao evento.

Ataques a alvos estratégicos e repercussões logísticas

Além do aeroporto, os houthis ampliaram o alcance das ofensivas, atingindo infraestruturas críticas nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, e ameaçando o estreito de Ormuz, rota vital para a exportação de petróleo saudita. Quando o Irã passou a controlar militarmente o estreito, a Arábia Saudita recorreu ao oleoduto Leste-Oeste, que transporta petróleo dos campos do leste do país direto para um terminal no Mar Vermelho, contornando o estreito. Milícias apoiadas por Teerã, operando a partir do Iraque, atacaram a tubulação, interrompendo temporariamente o fluxo em setembro.

O governo saudita e a estatal Aramco reagiram rapidamente, restaurando a capacidade do oleoduto e aumentando a produção para suprir a demanda internacional. Atualmente o corredor movimenta cerca de 7 milhões de barris por dia, mas o ministro Abdulaziz anunciou planos para ampliar o volume para 10 milhões, reforçando a mensagem de que a segurança energética permanece garantida apesar das adversidades.

Manutenção dos grandes eventos como sinal de confiança

Mesmo com a nuvem de insegurança pairando, as autoridades decidiram que o Congresso Mundial de Energia continuaria até sexta-feira, 16, e que a Future Investment Initiative (FII) – conhecida como “Davos do Deserto” – também ocorreria conforme planejado. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman confirmou, nesta terça-feira, que a conferência seguirá o cronograma, com reforço nas medidas de segurança e apoio logístico para os participantes.

Especialistas destacam que a decisão de prosseguir tem um caráter duplo: econômico e estratégico. Yousef Alshammari presidente do London College of Energy Economics, comentou que ‘eles mantiveram a programação porque é isso que preserva a confiança’. Já Neil Quilliam do Chatham House, alertou que cancelar os eventos seria “uma vitória psicológica para os houthis”, sugerindo que os ataques estariam conseguindo “interromper a transformação econômica do país”.

Perspectivas de energia e investimentos sauditas

O FII representa a vitrine da Visão 2030 programa ambicioso para reduzir a dependência do petróleo e diversificar a economia em setores como tecnologia, turismo, esportes e cultura. Organizadores garantiram que haverá espaços dedicados à fintechenergia renovável e infraestrutura digital reforçando a mensagem de que a Arábia Saudita permanece um hub atraente para capital estrangeiro.

Durante a abertura do congresso, Abdulaziz bin Salman enfatizou que “a palavra ‘medo’ não existe no dicionário saudita” e descreveu Riad como “a capital da segurança energética”. Ele ressaltou que a rápida recuperação do oleoduto Leste-Oeste foi possível porque “as circunstâncias testaram nossa infraestrutura, nossas instituições, nosso povo e nossa resiliência”. O ministro ainda destacou que, apesar das ameaças, a oferta de petróleo saudita se manteve estável, sustentando os preços globais em alta.

O panorama, porém, indica que o reino ainda enfrenta desafios significativos. A ameaça constante de novos ataques a instalações críticas, aliada à necessidade de ampliar a capacidade de transporte interno, demanda investimentos contínuos em defesa e infraestrutura. A comunidade internacional observa atentamente, pois a capacidade da Arábia Saudita de garantir a continuidade dos fluxos energéticos será determinante para a estabilidade dos mercados globais nos próximos meses.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa