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17 setembro 2026

Riscos de interferência cibernética dos EUA nas eleições brasileiras de 2026

Analistas alertam para o risco de interferência cibernética dos EUA e manipulação por bigtechs nas eleições brasileiras de outubro.

Riscos de interferência cibernética dos EUA nas eleições brasileiras de 2026

Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia de informação estão preocupados com a possibilidade de interferência cibernética dos Estados Unidos e manipulação por meio das bigtechs nas eleições gerais de outubro no Brasil. A escalada de medidas do governo de Donald Trump contra o país, incluindo tarifas de 25% e cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, sugere que novas ações podem ser tomadas, especialmente no campo da cibernética.

O memorando assinado por Trump na última quarta-feira (12) autoriza o uso de bigtechs em operações de vigilância cibernética e efeitos cibernéticos. Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, alerta que esse documento tem um caráter inédito e pode permitir a espionagem e hackeamento de alto nível.

O memorando e suas implicações

O memorando, sob o argumento de combater o crime transnacional cibernético, prevê a parceria da Casa Branca com empresas privadas para ações que envolvem acesso a sistemas de informação sem autorização. Além disso, autoriza operações que podem manipular, interromper, negar, degradar ou destruir sistemas de informação, redes e infraestrutura física ou virtual.

Reynaldo Aragon defende que o Brasil desenvolva sua própria infraestrutura digital, uma vez que todos os sistemas sensíveis do Estado brasileiro estão nas mãos de empresas dos EUA. Ele alerta que as ações cibernéticas podem ser realizadas de forma oculta, sem deixar pistas da autoria.

Ações subterrâneas e descredibilização eleitoral

Em julho, o governo brasileiro barrou o visto de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA devido a suspeitas de que pretendiam questionar o sistema eleitoral do Brasil. Euclides Vasconcelos, professor de história e especialista em geopolítica, avalia que podemos esperar novas ações dos EUA para interferir nas eleições, tentando descredibilizar o sistema eleitoral.

Vasconcelos destaca que as bigtechs são mais do que plataformas de discussão; são empresas ligadas a governos que podem mobilizar e influenciar diretamente certos grupos demográficos. Ele cita o exemplo da imigração em massa para Ceuta, onde mais de 60 mil pessoas foram influenciadas por notícias falsas espalhadas nas redes sociais do Marrocos.

A nova doutrina de segurança dos EUA

Por trás das ações do governo Trump está a nova doutrina de segurança dos EUA, divulgada Vasconcelos avalia que os EUA tentam consolidar o continente americano com governos à sua imagem e semelhança, citando a intervenção na eleição colombiana e esforços semelhantes em outros países da região.

Em junho deste ano, Trump indicou que a eleição no Brasil é mais um teste para a geopolítica dos EUA na América Latina. Vasconcelos cita ainda um vídeo publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, afirmando que a dominação dos EUA sobre a América Latina não poderá mais ser questionada. Ele conclui que o Brasil é uma peça-chave nessa estratégia, sendo o único país que poderia desafiar a dominação estadunidense no que eles chamam de seu hemisfério.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.