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21 setembro 2026

Rodada de campanha e pesquisas mostram crise de apoio a Lula e Bolsonaro

Candidatos percorreram quatro estados, abordaram saúde, prisões e bets, enquanto pesquisas revelam empates apertados entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Rodada de campanha e pesquisas mostram crise de apoio a Lula e Bolsonaro

Durante o fim de semana eleitoral, os principais candidatos à Presidência fizeram uma intensa turnê por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em cada parada, foram realizados atos de campanha, caminhadas de propaganda e entrevistas que reforçaram pautas como saúde públicareforma prisional combate ao crime organizado, direitos trabalhistas, empreendedorismo e a proibição das bets. O episódio coincidiu com a divulgação de novas pesquisas eleitorais que mantêm Lula e Flávio Bolsonaro em situações de empate técnico nos dois maiores estados.

Agenda dos presidenciáveis nos estados do Sudeste e Sul

Em São Paulo, o Augusto Cury (Avante) participou de uma sabatina transmitida pelo Jornal da Record, enquanto Edmilson Costa (PCB) concedeu entrevista ao SBT News. Clariana Barão (DC) não registrou compromissos formais. No interior, Ronaldo Caiado (PSD) esteve em Barretos, liderando o Encontro Nacional de Muladeiros do Bem e apresentando a proposta da “via rápida do câncer” para o SUS, além de defender um seguro rural para o agronegócio. Já Romeu Zema (Novo) chegou a Contagem (MG), onde pediu redução da burocracia para microempreendedores, defendendo a ideia de que o Estado deve fiscalizar após o início das atividades.

No estado de Santa Catarina, Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Joinville no sábado (19) e declarou que o modelo catarinense é “a prova do Brasil que deu certo”. Enfatizou a importância de um povo “trabalhador, produtivo e que corre atrás dos seus méritos”. Em seguida, elogiou o programa prisional local, propondo replicar a parceria entre presídios de menor periculosidade e empresas para garantir emprego aos egressos, diminuindo a taxa de reincidência. Ainda em Santa Catarina, o candidato reforçou a necessidade de políticas que viabilizem a inserção profissional de ex-presidiários.

Na zona norte do Rio de Janeiro, Hertz Dias (PSTU) percorreu o bairro de Madureira, destacando a urgência de ampliar investimentos em educação, cultura, esporte e geração de empregos. Seu discurso apontou que a “juventude negra das periferias é a principal vítima da violência” e denunciou a política que transforma jovens pobres em alvos permanentes de repressão. Ainda no Rio, Samara Martins (UP) realizou uma caminhada de panfletagem em Madureira, propondo salário dobrado, redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6 por 1, direcionando a mensagem aos trabalhadores do bairro.

Em Florianópolis, Lula (PT) fez um comício no sábado (19) e afirmou que pretende acabar com as bets no país, alegando que as apostas online conduzem a endividamento e até à perda de vidas. Criticou a existência de proibições para briga de galo, cassino e outros jogos, enquanto as bets chegam aos lares por celular. Rebateu a crítica dos clubes de futebol ao afirmar que times como São Paulo, Flamengo, Corinthians, Internacional, Grêmio e a Seleção Brasileira conquistaram títulos mundiais sem a presença das bets. Segundo ele, a resistência vem de emissoras de TV, influenciadores e empresários que lucram com o mercado.

No Rio Grande do Sul, Renan Santos (Missão) passou o sábado (19) em Capão da Canoa, prometendo “militarizar o Brasil” e libertar a América do Sul do crime organizado. Anunciou que seu governo investigará políticos ligados a quadrilhas e qualificou a disputa entre Flávio e Lula como “eleição da desistência”, afirmando que ambos tentam retirar a esperança dos eleitores.

Resultados das pesquisas em São Paulo e Rio de Janeiro

Um levantamento feito entre 8 e 10 de setembro de 2026, com 1.610 entrevistas presenciais em 65 municípios paulistas, mostrou que, sem a presença de Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro lidera o 1º turno com 35 % das intenções de voto, seguido muito próximo por Lula com 33 %. No cenário do 2º turno, o ex-governador alcança 47 % contra 42 % de Lula, com 10 % de eleitores indecisos ou em branco. Outras candidaturas permanecem abaixo de 7 %: Augusto Cury (7 %), Renan Santos (6 %), Ronaldo Caiado (4 %), Samara (2 %) e Romeu Zema (2 %).

No interior do Estado de São Paulo, a aprovação da gestão do presidente é de apenas 37 %, enquanto 60 % a desaprovam. Na Região Metropolitana, a aprovação sobe levemente para 45 % e a desaprovação recua para 52 %. Já no Rio de Janeiro, outro levantamento com 1.204 entrevistas em 35 municípios revelou empate técnico no 1º turno entre Flávio Bolsonaro (39 %) e Lula (35 %). No 2º turno, Flávio amplia vantagem, obtendo 49 % das intenções contra 41 % de Lula. O candidato de São Paulo tem desempenho superior entre homens (57 % a 35 %) e evangélicos (65 % a 26 %), enquanto Lula lidera entre mulheres (48 % a 41 %) e eleitores autodeclarados pretos (50 % a 36 %).

Quanto à avaliação da atuação do Presidente lula, a pesquisa indica aprovação de 39 % dos eleitores fluminenses, frente a 57 % de desaprovação. O índice de aprovação é mais alto entre as mulheres (45 %) e entre católicos (46 %), enquanto os evangélicos mostram maior reprovação (65 %). Esses números reforçam a polarização que marca o cenário nacional nas semanas que antecedem o pleito.

Pautas que dominam a corrida presidencial

Os temas recorrentes nas falas dos candidatos revelam três grandes frentes de disputa: a saúde com destaque para a proposta de Lula de criar uma via rápida de diagnóstico de câncer no SUS; a reforma do sistema prisional defendida por Flávio Bolsonaro ao citar o modelo catarinense de trabalho para detentos; e a regulamentação das apostas online alvo da campanha de Lula contra as bets. Paralelamente, empreendedorismo e redução da burocracia foram enfatizados por Romeu Zema, que propõe confiar nos microempreendedores e simplificar a licença de funcionamento.

Essas linhas de discurso, somadas aos números apertados das pesquisas, indicam que a decisão dos eleitores ainda está em aberto, e que as próximas semanas de campanha deverão ser marcadas por intensas mobilizações nos estados mais estratégicos.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.