O mercado financeiro brasileiro vive um momento de ajustes e incertezas. Na última quinta-feira, as taxas dos DIs fecharam em alta, refletindo tanto as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) quanto as tensões internacionais. O Copom havia anunciado, na véspera, uma redução de 25 pontos-base na Selic mas sem comprometer-se com novos cortes em setembro.
Esse movimento local se alinhou com a elevação dos rendimentos dos Treasuries e do preço do petróleo Brent no exterior, em um dia marcado por apreensão com o cenário geopolítico no Oriente Médio.
Impacto da decisão do Copom nas taxas dos DIs
No fechamento do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,865% uma alta de 7 pontos-base em relação à sessão anterior. Já a taxa para janeiro de 2035, na ponta longa da curva a termo, subiu para 14,465% com um aumento de 15 pontos-base.
O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano, conforme as expectativas do mercado. No entanto, o colegiado deixou claro que continuará acompanhando a evolução do cenário antes de decidir sobre novos cortes ou manutenção da taxa.
No comunicado da reunião, o Copom excluiu o parágrafo do encontro anterior que mencionava ‘trajetórias alternativas’ para a convergência da inflação à meta. Essa exclusão foi interpretada como um sinal de que a instituição está menos tolerante com a alta de preços.
Análise de especialistas
Gino Olivares economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management avaliou que o Copom abandonou a ideia de que há muito espaço para cortar juros. ‘A postura agora é de que ele vai cortar até onde der’, afirmou Olivares. Ele destacou que o Banco Central foi mais direto e não se comprometeu com o que fará no próximo encontro.
‘O mais provável ainda é que ele faça um pouco mais de cortes, mas ele vai até onde a realidade permitir’, complementou Olivares. O comunicado foi considerado mais ‘neutro’ por outras fontes de mercado, abrindo espaço para ajustes de alta na curva brasileira no início do dia.
Influência do cenário externo
Além das decisões locais, o mercado também foi influenciado por fatores externos. Os rendimentos dos Treasuries e o preço do petróleo Brent subiram, refletindo a apreensão com o cenário geopolítico no Oriente Médio.
Uma reportagem do Financial Times destacou que o presidente do FedKevin Warsh pretende manter uma mensagem ‘enxuta’ de política monetária, apesar da reação negativa do mercado na semana anterior. O Fed manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
No Oriente Médio, os sinais eram mistos. Enquanto Irã e Omã propuseram um acordo para encerrar a guerra na região, os EUA ainda não haviam se pronunciado sobre a proposta. O Irã alertou os países do Golfo Pérsico sobre possíveis retaliações em caso de novos ataques dos EUA.
Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 6 pontos-base para 4,676%.
Leilão de títulos do Tesouro brasileiro
No fim da manhã, o Tesouro brasileiro realizou um leilão robusto de títulos prefixados, vendendo 15,175 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 2,5 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-Fs). O volume grande, conforme um operador, também deu suporte às taxas dos DIs com prazos mais longos.
As taxas dos principais contratos de DI às 12h34 desta quinta-feira refletiram essa movimentação, com altas em todos os prazos analisados.



