A Tencent está prestes a se tornar a maior acionista da Manus, a desenvolvedora chinesa de inteligência artificial, em um movimento que marca uma mudança significativa no cenário tecnológico global. Esta transação ocorre após a intervenção do governo chinês, que exigiu a anulação do acordo anterior entre a Manus e a Meta, controladora do Facebook.
A aquisição da Manus pela Meta, realizada em dezembro de 2026 por cerca de US$ 2 bilhões, foi revertida após a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China exigir a anulação do acordo em abril. A Manus anunciou recentemente o encerramento de seus laços com a Meta, abrindo caminho para a Tencent e outras empresas chinesas assumirem o controle.
A Tencent e o novo cenário da Manus
A Tencent, em parceria com as empresas de capital de risco chinesas HSG e ZhenFund, está adquirindo a participação da Meta na Manus. O valor total da transação deve ser aproximadamente equivalente ao que a Meta pagou inicialmente. A mídia chinesa, incluindo o Caixin, já noticiou a aquisição, mas a Tencent não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.
A Manus, conhecida por seu modelo de IA de baixo custo e alto desempenho, foi aclamada como “a segunda DeepSeek” quando foi lançada no ano passado. A empresa, fundada na China, transferiu sua sede para Cingapura no ano passado, mas mantém uma equipe de liderança chinesa. Dados chineses podem ter sido usados no desenvolvimento de seus modelos, o que levantou preocupações sobre vazamentos de tecnologia.
O crescimento da Manus e as implicações da transação
Em junho, a Manus registrou uma receita recorrente anual (ARR) entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, um aumento significativo em relação aos US$ 100 milhões registrados quando a Meta a adquiriu. Isso sugere que a Tencent e outras empresas estão adquirindo participações a preços relativamente baixos, dado o crescimento da empresa. No entanto, a receita também foi impulsionada pelo sistema de publicidade da Meta, o que pode ter influenciado esses números.
O desenvolvimento de IA é uma prioridade estratégica para a China, e Pequim está tomando medidas para evitar vazamentos de tecnologia. Em julho, foram implementadas regulamentações que exigem revisão governamental para a transferência Internacional de tecnologias relacionadas à segurança nacional. Esta transação reflete os esforços contínuos da China para manter o controle sobre tecnologias críticas e garantir que elas sejam desenvolvidas e utilizadas dentro de suas fronteiras.
O futuro da inteligência artificial na China
A aquisição da Tencent na Manus é um exemplo claro de como a China está moldando o futuro da inteligência artificial. Com a Tencent como maior acionista, a Manus poderá continuar seu desenvolvimento sob a orientação de empresas chinesas, alinhando-se com as prioridades tecnológicas do país. Esta mudança também destaca a importância da IA para a estratégia nacional da China e os esforços do governo para proteger tecnologias críticas.
À medida que a China continua a investir em IA e outras tecnologias avançadas, é provável que vejamos mais movimentos estratégicos como este. A Tencent, como uma das maiores empresas de tecnologia da China, está bem posicionada para liderar esses esforços e contribuir para o desenvolvimento da IA no país. A aquisição da Manus é um passo significativo nesse sentido, e seu impacto será sentido não apenas na China, mas em todo o mundo.



