O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, está no centro de um intenso confronto entre o Irã e os Estados Unidos. Enquanto o Irã reafirma seu controle sobre a região, os EUA mantêm sanções e bloqueios que impactam significativamente a economia global.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi declarou em uma mensagem na rede social X que o estreito será aberto e fechado apenas sob comando iraniano. Ele afirmou que, enquanto os EUA não aceitarem a realidade da derrota, o Irã continuará a impor um bloqueio na região.
O impacto econômico do conflito
O conflito no Estreito de Ormuz tem gerado consequências econômicas significativas, tanto para o Irã quanto para os Estados Unidos. O preço médio do galão de gasolina nos EUA subiu para cerca de US$4,08, um aumento de 29% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Americana do Automóvel (AAA).
O presidente dos EUA, Donald Trump pediu aos norte-americanos que aceitassem preços um pouco mais altos da gasolina enquanto o conflito com o Irã continuar. Em um comício político em Garden City, Nova York, ele afirmou que pagar “um pouquinho a mais pela gasolina” vale a pena para garantir que “um país muito maligno” não obtenha uma arma nuclear.
O bloqueio do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, responsável por um quinto do petróleo mundial antes da guerra, está bloqueado pelo Irã desde o início do conflito. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi afirmou que o Irã ainda não decidiu retomar as negociações com os Estados Unidos, exigindo que Washington atenda a determinadas condições relacionadas ao estreito.
“O Estreito de Ormuz não pode ser tomado por um tuíte ou por um porta-aviões, nem por uma ordem ou por um discurso eleitoral”, declarou Gharibabadi. Apesar do tom desafiador do Irã, há sinais de que o país também está sofrendo consequências econômicas. O presidente Masoud Pezeshkian atribuiu a alta inflação ao bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e às sanções sobre as exportações de petróleo do país.
Ataques e tensões no estreito
Apenas duas embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz na sexta-feira, sem qualquer carregamento visível de petróleo bruto, segundo análise da empresa de rastreamento marítimo Kpler. Navios que se arriscam a navegar pelo estreito sem autorização iraniana correm o risco de sofrer ataques com mísseis ou drones.
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc) dos Emirados Árabes Unidos, informou que duas de suas embarcações foram atacadas enquanto transitavam pelo estreito na noite de quinta-feira. A agência estatal emiradense WAM também noticiou que outro navio foi alvo de um ataque na sexta-feira.
Um navio graneleiro foi atingido no casco por um projétil de origem desconhecida no Estreito de Ormuz na sexta-feira, informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Segundo a entidade, a tripulação está segura, não houve divulgação de avaliação dos danos e o impacto ambiental permanece desconhecido.
Um acordo preliminar firmado em junho para encerrar a guerra está em frangalhos. “Não tivemos um cessar-fogo inicialmente que agora desejássemos estender”, disse Araqchi. “Tivemos ‘o fim da guerra’, e agora existe uma nova situação.”
Ataques dos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, renovaram os temores de uma ampliação do conflito regional. O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmou que os houthis dispararam seis mísseis balísticos contra o porto de Mocha, no Mar Vermelho, na sexta-feira, matando quatro civis.
A agência Saba controlada pelos houthis, citou uma fonte militar segundo a qual o grupo atacou uma instalação da Aramco na cidade saudita de Najran utilizando um drone.



