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30 setembro 2026

Tribunal discute retirada de post sobre Nossa Senhora Aparecida

TSE marca votação virtual sobre a polêmica remoção de post que critica família Bolsonaro.

Tribunal discute retirada de post sobre Nossa Senhora Aparecida

Na última quarta-feira (30), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques colocou na ordem do dia uma sessão virtual para analisar a disputa judicial envolvendo uma publicação nas redes sociais que menciona Nova Senhora Aparecida. A votação, prevista para iniciar às 10h, surge após uma série de decisões contraditórias entre membros do TSE e do Supremo tribunal federal (STF).

O epicentro da controvérsia é o post criado pelo humorista Antonio Tabet no X, onde escreveu: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. O conteúdo foi interpretado pela defesa do candidato à presidência Flávio Bolsonaro como parte de uma campanha de desinformação que o acusaria de querer retirar o título de padroeira do Brasil da santa.

Decisão liminar de André Mendonça e a multa diária

Na sexta-feira (25/9), o vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça adotou medida cautelar determinando a remoção da publicação de Tabet e de outras mensagens semelhantes. A justificativa foi que o texto teria espalhado notícia falsa sobre um suposto projeto de lei que retiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, informação que o candidato nega. A ordem incluiu ainda multa diária de R$ 30 mil para quem não cumprisse a determinação.

Segundo Mendonça, a postagem já havia ultrapassado 195 mil visualizações, 2 mil compartilhamentos e 11 mil curtidas em poucas horas, configurando “expressões de elevada carga crítica e depreciativa” que poderiam interferir na formação da vontade do eleitorismo. Ele argumentou que o conteúdo extrapolava o âmbito da mera opinião política e apresentava “fato objetivamente falso, informação fabricada ou grave descontextualização”.

Reversões no STF: decisões de Flávio Dino e Luiz Fux

Em 27 de setembro, o ministro Flávio Dino do STF, concedeu pedido de Tabet e anulou a liminar de Mendonça, permitindo que a postagem fosse restabelecida. Dino ressaltou que a mensagem não continha o nome de Flávio Bolsonaro ou de qualquer familiar, argumentando que a remoção exigiria presumir como verdade a ligação entre a “família miliciana” e o candidato. “Não há ilicitude”, declarou ao justificar a suspensão da medida, e acrescentou que a decisão também beneficiaria outras postagens removidas pelo mesmo fundamento.

Entretanto, na noite de segunda-feira (28/9), o ministro Luiz Fux reverteu a decisão de Dino, restabelecendo, ainda que provisoriamente, a obrigação de retirada dos conteúdos. Fux determinou que as plataformas digitais cumpram a ordem do TSE em até 24 horas, sob pena de multa de R$ 50 mil por dia para cada provedor que descumprir. Ele destacou que o caso tramitava no processo que discute o Marco Civil da Internet, cujo relator é ele próprio.

Próxima votação no TSE e possíveis impactos

Com a suspensão da decisão de Dino, o plenário do TSE retomou a pauta. O presidente Kassio Nunes Marques fixou a sessão virtual para o dia 30, permitindo que os ministros votem entre 10h e 23h59. O foco da deliberação será se a postagem de Tabet, que não menciona diretamente Flávio Bolsonaro, pode ser considerada “discurso de ódio” ou “imputação de crime”, ou se sua retirada configura censura e violação da liberdade de expressão e da liberdade religiosa.

A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que a mensagem foi inserida em um contexto de fake news que poderia influenciar eleitores, enquanto os advogados de Tabet afirmam que a ordem de remoção atinge uma manifestação legítima de crítica política. O resultado da votação poderá definir, ainda durante a campanha eleitoral, o alcance das competências do TSE frente ao STF em casos que envolvem discurso nas redes sociais.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.