Ir para o conteúdo
28 setembro 2026

Universidades privadas solicitam ajuste no Fies e mais bolsas ProUni

A Anup encaminhou proposta para limitar o Fies a quem tem maior capacidade de pagamento, ampliar o ProUni e fortalecer o ensino a distância, apontando números de inadimplência que chegam a quase R$ 58 bilhões.

Universidades privadas solicitam ajuste no Fies e mais bolsas ProUni

A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) enviou uma carta aberta aos aspirantes à Presidência da República, apresentando uma série de recomendações para o financiamento estudantil. O documento aponta que a maior parte dos recursos do Fies está comprometida por contratos inadimplentes, que somam quase R$ 58 bilhões. Diante desse cenário, a associação defende que o próximo governo concentre o apoio financeiro nos estudantes com maior capacidade de pagamento, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades de bolsas concedidas pelo ProUni.

Redefinir o público-alvo do Fies

Atualmente, o fundo de financiamento estudantil beneficia alunos com renda familiar de até 3 salários mínimos. A Anup propõe elevar esse limite para 4,5 salários mínimos argumentando que a restrição reduzirá a taxa de inadimplência e tornará o programa financeiramente sustentável. Segundo a carta, apenas 2% dos estudantes de instituições privadas utilizam o Fies, mas a carteira total do programa atinge R$ 89,9 bilhões dos quais R$ 57,9 bilhões já são contratos em atraso.

Ampliar o teto de financiamento e incentivar o ProUni

Além da mudança de faixa de renda, a Anup solicita o aumento do limite máximo de crédito concedido pelo Fies, de modo a incluir cursos de maior custo, como Medicina e Engenharia. No que se refere ao ProUni a proposta inclui a concessão de benefícios tributários – como a desoneração da folha de pagamento – para as instituições que aderirem ao programa. Em 2025, o ProUni ofereceu 174,9 mil novas bolsas em 1.182 instituições representando cerca da metade das universidades privadas elegíveis.

Fortalecer o ensino a distância e retomar o Pronatec

A carta também advoga pela valorização do Ensino a Distância (EaD), requerendo que as modalidades de ensino sejam avaliadas por resultados de aprendizagem e não apenas pela forma de oferta. A Anup se posiciona contra as restrições ao modelo semipresencial e pede que o Pronatec seja reativado com participação das universidades privadas, bem como a criação de um programa federal de bolsas para cursos técnicos, inspirado no modelo do ProUni. A proposta ainda inclui a solicitação de maior participação da associação em colegiados do MEC e estabilidade regulatória para o setor privado.

Ao limitar o Fies a estudantes com renda superior a 4,5 salários mínimos e ao elevar o teto de financiamento, a Anup acredita que o passivo de R$ 58 bilhões poderá ser reduzido significativamente, permitindo que os recursos restantes atendam a um número maior de alunos. A ampliação do ProUni, aliada a incentivos fiscais, pretende equilibrar a oferta de bolsas entre as instituições participantes. Por fim, a defesa do EaD e a retomada do Pronatec buscam diversificar as vias de acesso ao ensino superior, sobretudo para jovens de baixa renda que necessitam de flexibilidade.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.