A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) está implementando uma estratégia de vacinação indiscriminada contra o sarampo em três municípios do estado. Com 23 casos confirmados, a medida visa conter a disseminação da doença, especialmente em São PauloGuarulhos e São Bernardo do Campo.
A campanha é destinada à população de 6 meses a 59 anos que deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber a dose. O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo “Prof. Alexandre Vranjac” esclarece as principais dúvidas sobre a iniciativa.
Por que a vacinação é focada nesses três municípios?
A vacinação indiscriminada foi adotada devido à confirmação de casos de sarampo e ao risco de disseminação da doença. Em outros municípios, a orientação é intensificar as ações de vacinação por meio da verificação da situação vacinal da população, da busca ativa e da atualização das doses em atraso, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
Quem deve se vacinar?
Viajantes e residentes
Para pessoas que irão se deslocar temporariamente para esses municípios, a recomendação é verificar a situação vacinal e manter a caderneta atualizada, conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). O simples deslocamento para essas localidades não constitui indicação para a vacinação indiscriminada.
Residentes de 6 meses a 59 anos em São PauloGuarulhos ou São Bernardo do Campo devem receber a dose, independentemente do histórico vacinal, desde que não apresentem contraindicações e respeitem o intervalo recomendado entre as vacinas de vírus vivos atenuados.
Gestantes e lactantes
A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes por ser produzida com vírus atenuados. Pessoas com imunodeficiência grave ou indivíduos com histórico de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da fórmula também não devem tomar o imunizante.
Já as lactantes podem receber a vacina normalmente. A amamentação não precisa ser interrompida, pois o imunizante não oferece riscos ao bebê.
Por que a vacinação é recomendada apenas para pessoas de 6 meses a 59 anos?
A partir dos 6 meses de idade, a criança já consegue desenvolver resposta imunológica à vacina tríplice viral e, ao mesmo tempo, pode não estar mais protegida pelos anticorpos maternos. Em situações de risco epidemiológico, a vacinação antecipada contribui para reduzir o risco de infecção pelo sarampo.
Para pessoas com 60 anos ou mais, a vacinação indiscriminada não é recomendada, pois considera-se que grande parte dessa população já teve contato natural com o vírus ao longo da vida, apresentando imunidade duradoura.
Intervalo entre vacinas
Quem recebeu, nos últimos 30 dias, outra vacina de vírus atenuado, como as vacinas contra febre amarela ou varicela, deve aguardar o intervalo recomendado antes de tomar a tríplice viral. Na unidade de saúde, a equipe verificará a caderneta de vacinação e informará a data adequada para a aplicação.
Situação atual do sarampo em São Paulo
Dos 23 casos confirmados no estado, dois são importados e os demais estão relacionados à importação, embora ainda não tenha sido identificada a fonte de infecção. Até o momento, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto.
Campanha de Multivacinação
Desde o dia 3 de agosto, a Campanha de Multivacinação está em andamento em todo o estado de São Paulo para atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos, em todas as UBSs do estado.
Durante a campanha, além da vacina contra o sarampo, as salas de vacinação oferecem todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação para crianças e adolescentes, conforme a faixa etária, a indicação e o histórico vacinal.
Envio de novas doses
A SES-SP enviou na tarde de quinta-feira (6 de agosto) 150 mil novas doses da vacina tríplice viral para a capital paulista e 80 mil doses para o município de São Bernardo do Campo. A pasta ressalta que todos os municípios estão abastecidos e que a responsabilidade pelas estratégias e ações específicas para o armazenamento e o remanejamento das doses entre as unidades de saúde são dos próprios municípios.



