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1 novembro 2026

CEO da Vale projeta crescimento do cobre e reforço da VBM

Gustavo Pimenta revela metas ambiciosas da Vale para cobre e destaca a mineração como motor ainda maior da economia do país.

CEO da Vale projeta crescimento do cobre e reforço da VBM

Durante o FT Metals & Mining Summit realizado em Londres, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta expôs a estratégia da companhia para os próximos anos. Em entrevista ao Financial Times apontou que a empresa pretende quase dobrar a produção de cobre elevando-a de cerca de 380 mil toneladas atualmente para 700 mil toneladas, principalmente a partir das reservas de Carajás no Pará. O executivo enfatizou que, independentemente de quem vença as eleições presidenciais – Flávio Bolsonaro ou Lula – a mineração será um pilar estratégico para o Brasil.

Expansão da produção de cobre e infraestrutura de baixo custo

Pimenta destacou que os projetos de cobre em Carajás apresentam intensidade de capital muito inferior à de empreendimentos greenfield graças à já existente malha ferroviária, portuária e de energia. Segundo o CEO, cada tonelada de cobre extraída nessa região demanda, em média, metade do investimento exigido por projetos típicos, o que confere à Vale uma vantagem competitiva importante. Dois empreendimentos de cobre já se encontram em fase de construção, e a meta de 700 mil toneladas deverá ser atingida antes de 2035, ampliando a presença da Vale no mercado global de metais.

Vale Base Metals (VBM) ganha relevância no EBITDA

A subsidiária Vale Base Metals (VBM) atualmente responde por cerca de 30% do EBITDA da holding. Pimenta projetou que esse percentual ultrapasse 40% nos próximos anos, refletindo o crescimento acelerado da produção de cobre e a evolução da carteira de ativos. O diretor ressaltou que a VBM tem entregado dividendos acima da média do setor, e que a empresa pretende manter essa política, combinando expansão de negócios com retorno sólido aos acionistas. Embora tenha sido questionado sobre a possibilidade de um IPO da VBM, o executivo descartou a ideia como prioridade imediata, afirmando que a abertura de capital seria apenas um instrumento para financiar projetos estratégicos, se necessário.

Mineração como motor para aumentar o peso no PIB

O presidente da Vale ressaltou que a mineração representa hoje cerca de 4% do PIB brasileiro mas tem potencial para chegar a números semelhantes aos da Austrália, onde o setor responde por mais de 10% da riqueza nacional. Para alcançar esse patamar, Pimenta defende a simplificação dos processos de licenciamento e a adoção de uma agenda de mineração responsável. Carajás foi citado como exemplo de operação que utiliza apenas 2% a 3% da área ocupada, preservando cerca de 800 mil hectares de floresta. O executivo acredita que, ao alavancar reservas subutilizadas, a Vale pode gerar valor significativo para acionistas e simultaneamente contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.

Perspectivas de demanda global e posição da Vale na cadeia de suprimentos

No panorama internacional, Pimenta manteve a visão de que a demanda por cobre permanecerá firme, especialmente na China que produz pouco mais de 1 bilhão de toneladas de aço bruto por ano. Ele também apontou o crescimento acelerado de mercados emergentes como Vietnã e Índia que vêm ampliando suas capacidades siderúrgicas. A entrada em operação da mina Simandou na Guiné, foi analisada como um fator que deve compensar a exaustão natural de 60 a 80 milhões de toneladas anuais de produção de minério de ferro, mantendo o equilíbrio do mercado global. A Vale, por sua vez, vê a alta de alumina em Simandou como um diferencial que valoriza os produtos de baixo teor de alumina produzidos no Brasil.

Ao combinar infraestrutura existente, projetos de baixo custo e uma visão de longo prazo para o setor de mineração, a Vale busca não apenas ampliar sua participação nos mercados internacionais, mas também transformar a mineração em um vetor mais forte para o crescimento econômico do Brasil.

Rafael Oliveira